Umbanda não é Espiritismo

espxumbJá indo direto ao assunto: Realmente não é! Mas você, espírita, sabe o que é Umbanda e como ela se formou?

Alguns pensamentos comuns dentro do meio espírita, é acreditar que a Umbanda se apropia do termo espiritismo de forma errônea. É fácil atribuir a Umbanda a origem africanista e também acreditam que os espíritos que se manifestam na Umbanda são atrasados ou ainda ignorantes.

Infelizmente essas confusões são comuns, e honestamente, espero que sejam inocentes. Nesse texto, tentarei responder isso para o público espírita. Então ao abrir-se para esse conhecimento, dispa-se dos seus preconceitos.

A Umbanda é Espiritismo?

Não, como já dito antes. Porém, se formos aceitar a origem oficial da Umbanda, formatada como religião, ela é sim, visto que é uma dissidência de uma casa espírita. Veja bem, a história mais conhecida é que a Umbanda foi fundada pelo médium Zélio Fernandino de Morais, na cidade de Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Conta-se que Zélio sofria de diversos distúrbios em sua juventude, a ponto de se comportar como outra pessoa e até mesmo se portar como um felino às vezes. A família do Zélio tentou por diversas vezes “curar” o jovem, chamando médicos e até um padre para praticar um exorcismo. Porém não diagnosticaram nada e, os pais, foram aconselhados a levá-lo a Federação Espírita de Niterói, para que pudesse receber ajuda espiritual.

Zélio com seus 17 anos de idade, chegando ao local, fora convidado para compor a mesa de trabalhos. Quando se proclamava as aberturas, Zélio de súbito levantou e disse: “Falta uma flor nessa mesa!”, foi até a área exterior e voltou com uma flor branca, que posicionou no centro da mesa. Dada passagem para as palavras dos espíritos, Zélio teve uma manifestação espiritual, levantando-se e questionando o por que os espíritos ditos mais simples e considerados ignorantes, não podiam se manifestar. Os componentes tentaram mandar embora o espírito que falava pelo médium, mas sem sucesso. Então interpelaram-no sobre seu nome. O espírito incorporado disse: “Se tenho que ter um nome, me chame de Caboclo das 7 Encruzilhadas. Pois, para mim não há caminhos fechados”. Um dos médiuns da mesa, possuidor de vidência espiritual, vislumbrava o espírito ainda com vestígios de vestes clericais e o questionou sobre o motivo dele, sendo um clérigo, se portar e se manifestar como um índio. O Caboclo disse que vinha para trazer uma nova religião que daria voz aos espíritos que lá não podiam falar, e convidou a todos para casa do médium no dia seguinte. Logo, a Umbanda estava formada e a primeira casa levou o nome de “Tenda ESPÍRITA Nossa Senhora da Piedade”. Então, teoricamente podemos dizer que ela é uma seita derivada do Espiritismo, sim! Mas não é espiritismo, pois tem rituais próprios e se tornou uma religião independente. O puritanismo acaba por confundir. Entretanto ao abrir um pouco nossas mentes, percebemos que o que define um espírita não é a casa ou a nomenclatura de onde vive, mas sim o fato de crer na preexistência do espírito, na continuidade da vida, na comunicação com o mundo dos desencarnados, etc. A Umbanda também tem os mesmos princípios.

A Umbanda é Africana ou Afro-Brasileira. 

A Umbanda não é africana e nem sequer afro-brasileira. Se tivesse um termo para designar deveria ser afro-ameríndia-europeia-brasileira, ou seja, a mistura que formou o povo brasileiro. Então podemos dizer resumidamente que a Umbanda é BRASILEIRA!

Apesar de receber influências de vários povos e culturas, ela não pertence a uma só cultura estrangeira. Veja, quem fundou a Umbanda foi um Caboclo. Mesmo que acreditemos (eu sou mais dessa linha) que a Umbanda é anterior ao Zélio, e foi uma evolução natural dos ritos nativos misturados aos estrangeiros, como o chamado Candomblé de Caboclo – esse mesmo uma transmutação de cultos religiosos de origem banto – ainda assim veremos uma presença muito grande da ritualística indígena. Dos cultos africanos emprestamos os Orixás, os Atabaques e as guias. Dos europeus, o culto aos santos católicos, suas rezas, salmos, uso da bíblia e a água benta, além do conhecimento doutrinário espírita. As obras de Kardec são – e devem – ser usadas dentro da Umbanda. Do povo indígena, o uso de ervas nativas, do tabaco, das miçangas, do maracá, o culto aos encantados e a reverência a natureza. Nem sequer o preto-velho é africano, se parar para reparar ele possui um nome de batismo católico.

Então, veja só, a Umbanda é muito mais ampla do que sequer podemos imaginar.

Os espíritos que se manifestam na Umbanda são atrasados ou ainda ignorantes.

Esse é um conceito pré-estabelecido que foi herdado pelos demais espíritas posteriores a fundação da Umbanda. Veja só, antigamente era tido mesmo, que espíritos que não tinham uma forma “clássica” e educada de falar, eram atrasados. Mas veja, a recomendação é sempre avalizar a mensagem pelo seu teor e não pela sua forma. Há um ditado – que eu gosto muito – que diz assim:

O Diabo sabe citar as escrituras! Sabe citar e o faz com propriedade!

Acrescente ainda: Sabe citar e o faz com propriedade! Então, não se permita a manter a mente fechada, achando que aquele caboclo que ali se manifesta ou um preto-velho são ignorantes pois ainda fumam, bebem e falam de forma peculiar. Nada disso! O uso de elementos é algo ritualístico (Ok, eu sei que não existem rituais no espiritismo)*. Na verdade, não se deve usar a bebida a ingerindo. Não se usa o tabaco de forma inveterada, fumando sem qualquer controle. Nem sequer se traga o fumo! Tudo isso tem explicação dentro da ritualística. Agora, se você for a algum lugar e vir isso, saiba, ali não é um espírito de Umbanda, ou como é mais conhecido, um Espírito-de-Lei, mas um ser em desequilíbrio, seja ele um desencarnado ou o próprio médium.

E outras coisas mais!

Vejam, nem tudo é como dizem ser. O preconceito pode levar a estagnação. Não permita que isso ocorra, lembre-se que o próprio codificador pede para avaliar as manifestações e sempre deixou claro, que tudo deve ser passado pelo crivo da razão. Ser racional não é desqualificar ou invalidar algo, mas sim procurar e pesquisar mais, agindo como um verdadeiro investigador. Termos e títulos são passageiros, quem garante a você que o Dr. Luz e Amor não é na verdade um belo Exu ou Preto-Velho? Leia mais sobre isso no artigo: Veracidade dos Nomes dos Espíritos.

Se ainda houver algumas dúvidas ou questionamentos a respeito, peço para que deixem nos comentários ou nos envie um e-mail pelo formulário de contato.

Para quem quiser se aprofundar mais nesses temas eu recomendo dois livros:


* Tema complicado de se tocar, mas veja a definição pelo dicionário:

ritual
ri.tu.al
adj m+f (lat rituale) 1 Pertencente ou relativo aos ritos. 2 Que contém os ritos. sm 1 Livro que contém os ritos, ou a forma das cerimônias de uma religião. 2 Cerimonial. 3 Conjunto das regras a observar; etiqueta, praxe, protocolo.

O que chama atenção é a definição: “Um conjunto de regras a observar”. Não é de praxe ir ao centro espírita, assistir a palestra, tomar o passe, beber a água fluidificada e etc? Isso também é um ritual. Não é recomendado executar o Evangelho no Lar? Geralmente no mesmo dia e horário e com uma estrutura pré-definida? Isso é um ritual! Acho que me fiz entender.

Douglas Rainho

Terapeuta Natural (Naturopata) e futuro Acupunturista, Idealizador do blog Perdido em Pensamentos e pretenso escritor. Geminiano com ascendente em Leão e lua em Touro, acredita que toda forma de estudo é importante. Médium umbandista e eterno questionador, tem interesses em temas como: Espiritualidade, Espiritismo, Umbanda, Magia e Terapias Naturais. É apaixonado pela cidade de São Paulo, onde tudo é possível. Colecionador de livros, principalmente sobre Umbanda (quanto mais antigo melhor).

Douglas Rainho

Douglas Rainho

Terapeuta Natural (Naturopata) e futuro Acupunturista, Idealizador do blog Perdido em Pensamentos e pretenso escritor. Geminiano com ascendente em Leão e lua em Touro, acredita que toda forma de estudo é importante. Médium umbandista e eterno questionador, tem interesses em temas como: Espiritualidade, Espiritismo, Umbanda, Magia e Terapias Naturais. É apaixonado pela cidade de São Paulo, onde tudo é possível. Colecionador de livros, principalmente sobre Umbanda (quanto mais antigo melhor).

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