Ateísmo, a crença do não crer.

tb2219new[1]O Ateísmo, como antítese do teísmo, é o termo utilizado para definir quem não têm crença na existência de divindades. A etimologia da palavra provêm do grego Atheos:

A – Sem, ausência e Theos – Deus ou Deuses.

Logo, Atheos é literalmente Sem Deus!

Aviso: Esse não é um artigo isento e imparcial.

Devem aqueles que se autodenominam assim possuírem uma postura cética em relação a qualquer evento de ordem sobrenatural. Ganhou força através do pensamento científico e a metologia empírica, ou seja, quando posso provar algo o faço e quando não posso provar tento a refutação. É o esquema Tese e Antítese, que, contudo, nem sempre é considerado pelos “neoateus”.

Um cientista quando não consegue provar algo têm por obrigação científica tentar refutar, se ele não chegar a conclusão alguma, então, tem que tomar uma postura neutra, sem emitir uma opinião final. Não é o que ocorre com os “neoateus”. Confunde-se muito método científico e ateísmo, esquecendo-se completamente as grandes mentes científicas que tinham crenças religiosas e que não se deixavam qualificar pelas mesmas apenas.

Acredito que tomar uma postura, como se vê muitas vezes, jocosa e de zombaria não produz bons frutos. Os “neoateus” mais parecem crianças mimadas que pediram um presente para Deus e o mesmo não o atendeu e então eles passam a praguejar e ridicularizar os ainda crentes na fé. Esta não é uma postura ordeira ou mesmo cética e isenta. Não há como negar o direito de não crer em nada a um ser humano, pois até não crer é protegido pela constituição no direito da crença livre. Irônico no mínimo.

Durante os séculos XVI e XVII, a palavra “ateu” ainda era reservada exclusivamente para a polêmica … O termo “ateu” era um insulto. Não ocorreria a alguém autodenominar-se ateu. — Karen Armstrong

Quando procuramos ver a história sobre os atheos, percebemos que ela foge totalmente do escopo adotado atualmente. Algumas denominações de ateus do passado, incluindo os apateístas, não dão como necessária a intervenção ou explicação divina para os fenômenos naturais e nem que os deuses possam interferir na vida cotidiana. Também conhecido como ateísmo pragmático, essa vertente não rejeita diretamente a existência de seres diferentes e inteligências superiores denominadas divindades.

Muitos creditam a existência da religião com a necessidade de ser uma bússola moral para guiar os seres humanos e os tornarem pessoas melhores. Essa concepção está em partes corretas, pois vindo de culturas antigas vemos que a política e a religião se amalgamam. Porém, defendem os ateus, nos dias atuais não seria mais necessária essa ferramenta primitiva chamada religião.

Vejo uma grande diferença entre a não necessidade pelo avanço intelectual e moral do homem com a não existência de forças divinas. Mas como isso acaba caindo no departamento de crenças, não vêm ao caso.

Também é atrelado, de forma errônea, aos ateus o deslocamento do culto exterior para o culto do eu, atrelado ao antropocentrismo. Ideia na qual o Teos (Deus) dá espaço para o Antropos (Homem/Humano) como centro de importância. Logo, todas as atitudes humanas estariam sendo pautadas em sua própria capacidade e coerência moral. Com a crença do bem e mal puro e intrínseco ao ser.

Ainda é citado que os países mais desenvolvidos (com o IDH altíssimo) são geralmente ateus em sua maioria. Vamos aos dados:

Em uma imagem que circula pelas redes sociais eles apontam o seguinte fato:

Japão: 65% de Ateus

Noruega: 72% de Ateus

Dinamarca: 80% de Ateus

Suécia: 85% de Ateus.

Mas pesquisando sobre o mesmo país e seus censos demográficos percebemos que algo não bate, acompanhe:

Japão: 84% Xintoísta, 71% Budista, 2% Cristã e 8% Outros (incluindo ateus)

Noruega: 77,2% Luteranos, 12,9% Ateus, 4,7% Crenças Cristãs Diversas, 2,4% Islamismo, 1,7% Humanismo e 1,1% outros. (Fonte: Statistics Norway)

Dinamarca: 83,7% Luteranos, 4% Crenças Cristãs Diversas, 8,3% Sem Religião, 1,5% Ateísmo e 2,5% Outros.

Suécia: Luteranos 67,5%, 5,9% Crenças Cristãs Diversas, 1,2% Islamismo e 0,5% Outros

Os dados podem estar um pouco defasados, mas se quiserem atualizações entre no site: Eurel
Sociological and legal data on religions in Europe.

Com esses dados dá para questionar o sujeito de uma das mais promulgadas frases dos ateus que é: “O Religioso acredita em mentiras.”

Quero ainda destacar o texto abaixo do portal InfoEscola:

“O racionalismo vigente durante o Renascimento deu o alento necessário ao desenvolvimento do Ateísmo. É neste momento que a Ciência também tem o seu momento maior de crescimento. Na esteira do progresso econômico, científico e humanístico, vários questionamentos surgem, inclusive com a razão sobrepondo-se aos fenômenos de ordem transcendental. Até mesmo os políticos deixam de ter ascendência divina, e o Estado se seculariza. No Período Contemporâneo, a Revolução Industrial dá espaço para o surgimento do Capitalismo com força total. A partir de então, o Ateísmo imprime suas marcas em movimentos filosóficos e político-sociais. O número dos ateus cresce cada vez mais, só perdendo para os cristãos em termos de adeptos. Ao que parece, há inclusive dados históricos sobre povos que nunca acreditaram em nenhum deus, como os esquimós. É em dados como estes que os ateus se baseiam para justificar suas premissas.”

Já adentrando em uma aspecto político vemos que, pela linha de raciocínio adotada, a religião é a responsável indireta pelo capitalismo, porém, estranhamente a maioria dos comunistas se denominam ateus. Ressalto isso pelas varias incongruências que isso pode gerar. Outra inconsistência do parágrafo é sobre os esquimós, apesar de não terem a crença em um deus – segundo a InfoEscola – os mesmos tinham práticas religiosas, então abre-se uma nova indagação: Será necessário um DEUS para existir uma RELIGIÃO ou prática RELIGIOSA?

Mantenho a mente aberta, porém com preocupação pela crescente dos “fundamentalistas neoateus” que fogem da definição do termo e acabam elencando Charles Darwin como seu novo Profeta e o livro A Origem das Espécies como seu texto sagrado. Cabe a reflexão?

Citações:

“Um pouco de filosofia inclina o homem ao ateísmo. Profunda filosofia faz retornar o homem à religião” – Algumas fontes citam Voltaire (Filósofo e Escritor)outras citam Francis Bacon (Político, Filósofo e considerado o Co-fundador da Ciência Moderna)

“O catolicismo é uma religião da panaceia, como o ateísmo ou o livre pensamento é uma ilusão da farmácia.”Fernando Pessoa (Poeta e ao lado de Camões o mais importante escritor da língua portuguesa)

Eu entendo que um homem possa olhar para baixo, para a terra, e ser um ateu; mas não posso conceber que ele olhe para os céus e diga que não existe um Deus.” – Abraham Lincoln (Advogado, Polítco e 16º Presidente dos Estados Unidos da América)

“O que me aborrece nos ateus, é que eles estão sempre falando de Deus…” – Heinrich Böll (Escritos, Nobel da Literatura de 1972)

“O cara só é sinceramente ateu quando está muito bem de saúde.” – Millôr Fernandes (desenhista, humorista, dramaturgo, escritor e jornalista)

“No Brasil, quando o feriado é religioso, até ateu comemora.” – Jô Soares (humorista, apresentador e escritor)

Para quem procura uma lista de cientistas que acreditavam em Deus, segue: Nicolau Copérnico, Johannes Kepler, Galileu Galilei, René Descartes, Isaac Newton, Robert Boyle, Michael Faraday, Gregor Mendel, William Thompson Kelvin, Max Planck, Albert Einstein, entre outros.

Não é uma crítica ao ateísmo como filosofia ou ideologia, mas  uma crítica aos que se dizem ateus e na verdade são apenas pessoas desrespeitando o direito a crença do próximo, através de jocosidades e provocações. Vemos na lista acima nomes importantes da ciência, que em nada tiveram seus trabalhos – e intelectos – diminuídos por acreditarem na existência de uma força superior. Respeito é a palavra principal em todo relacionamento humano.

Art. 5, inc. VI da Constituição Federal de 88:

é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

Drauzio Varela também dá sua opinião, um tanto quanto limitada a cultura judaico-cristã e ao fundamentalismo, porém vale a leitura, acesse o link.

Terapeuta Natural (Naturopata) e futuro Acupunturista, Idealizador do blog Perdido em Pensamentos e pretenso escritor. Geminiano com ascendente em Leão e lua em Touro, acredita que toda forma de estudo é importante. Médium umbandista e eterno questionador, tem interesses em temas como: Espiritualidade, Espiritismo, Umbanda, Magia e Terapias Naturais. É apaixonado pela cidade de São Paulo, onde tudo é possível. Colecionador de livros, principalmente sobre Umbanda (quanto mais antigo melhor).

Douglas Rainho

Terapeuta Natural (Naturopata) e futuro Acupunturista, Idealizador do blog Perdido em Pensamentos e pretenso escritor. Geminiano com ascendente em Leão e lua em Touro, acredita que toda forma de estudo é importante. Médium umbandista e eterno questionador, tem interesses em temas como: Espiritualidade, Espiritismo, Umbanda, Magia e Terapias Naturais. É apaixonado pela cidade de São Paulo, onde tudo é possível. Colecionador de livros, principalmente sobre Umbanda (quanto mais antigo melhor).

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  • Ivani Medina

    Caro Douglas, inicialmente, discordo de “crença do não crer”. Isto é um jogo de palavras. Ateísmo, por não ser uma doutrina, não tem definição, tem rótulo. É certo que muitas pessoas tomam pensamentos alheios como próprios por identificação estética. Muitos ateus fazem isso, e religiosos nem se fala. A nossa cultura ocidental encontra-se num momento delicado em que não dá para voltar atrás. Só pode seguir em frente. Quero deixar meu pensamento a respeito da crença em deus em um link, para ser mais completo.

    Entendo que trocar ideias é fundamental e toda colaboração nesse sentido é válida. Saudações.