Parece cada vez mais evidente que o estudo, seja em que área for, é uma coisa indispensável. Porém, não é exatamente assim que grande parte dos que praticam a Umbanda pensam.

Primeiramente, devemos contextualizar que o ensino de Umbanda como conhecemos atualmente é uma prática muito recente e que conta com grande oposição dos mais tradicionais e conservadores.

Apesar de também ser um tradicionalista, acredito que existam coisas que não precisam ficar engessadas no passado. O que ocorre é que usamos de uma desculpa chamada “tradição” para justificar que as coisas não podem mudar e não é bem assim que se processam as coisas.

“As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras” Friedrich Nietzsche

Veja bem, “Tradição” quer dizer um conjunto de práticas que foram experimentadas e dadas como funcionais que são passadas para gerações futuras, que podem incluir suas próprias conquistas e seus empirismos, sendo absorvidos ou não, pela tradição.

Basicamente, isso ocorre, dentro da Umbanda, quando um terreiro nasce do seio de outro mais antigo. Esse novo terreiro trará dentro de seu núcleo de aprendizado a estrutura do terreiro fundador, mas também trará os novos conceitos, orientações e diretrizes passadas ao novo dirigente.

Esse novo “núcleo de tradição” não poderá ser incluído no terreiro original, mas será a tradição do novo terreiro e assim por diante. Conseguem compreender?

Porém, nem todo terreiro ou casa se agrada de criar novos núcleos, por perderem o controle do mesmo ou por perderem filhos que ajudavam nas despesas da casa. Infelizmente essa é a mais pura verdade!

Justamente por isso, costumam cercear a capacidade dos filhos – mesmo a contragosto das entidades dirigentes da casa – de procurar por informações e por estudo sério. Sempre criam o mito do “Mistério que será revelado em momento oportuno” ou do “Porque Deus quis!”, para acabarem com esse tipo de manifestação ou movimento dentro das casas espiritualistas.

“É admirável como nossas tendências sempre dão um jeito de se disfarçar de filosofia.” Hermann Hesse

Vamos concordar que isso é terrível, pois o postulante que procura conhecimento acaba se sentindo algemado, preso e sem bases para compreender todo aquele “mistério” que lhe cerca. Com certeza, sua mediunidade será mais frágil e qualquer coisa irá abalá-lo a ponto de ele pensar seriamente se aquele deve mesmo ser seu caminho.

Quantos terreiros vocês conhecem que tiveram evasões de filhos? E quantos que os dirigentes não conseguiram manter e foram fechados?

O estudo sério é importante, mas até para procurar estudo é preciso de informação. Se você simplesmente sair por aí digitando no Google: “Curso de Umbanda”, irá encontrar uma infinidade de opções, com 99.99% deles sendo rasos, sem fundamentos e apenas caça-niqueis.

Alguns ainda se aproveitam do sistema de pirâmide financeira para sempre manterem suas fileiras de estudantes ávidos por mais conhecimento (que sempre é prometido, mas dado de conta-gotas a um preço mensal elevado).

Neste campo também encontramos os “fracos de fé”, que procuram se afastar do conhecimento e do estudo por acharem que este tipo de informação irá lhes causar mais confusão e irá os impedir de trabalhar de forma adequada na Umbanda.

Acredite, a grande maioria são de pessoas acovardadas em serem confrontadas com a verdade do caminho espiritual, que a fé só é mantida quando a mesma tem bases sólidas. Que você irá aprender, defender, refutar, se desfazer e reaprender, constantemente!

Tenho alguns exemplos mais recentes de pessoas que tiveram grande oportunidade de fundamentação, mas optaram por se manterem no obscurantismo em uma casa cheia de “situações questionáveis”, pois não queriam sair de sua “Caverna segura”.

Pessoas que abandonaram o estudo e a busca por conhecimento e se transformaram (ou sempre foram e apenas deram vazão) a pessoas embrutecidas, cheias de ódio e com uma repulsa por tudo aquilo que é esclarecedor. A Alegoria da Caverna de Platão esclarece bem esse tipo de situação.

Ninguém diz que o caminho é fácil, justamente por haver mais obstáculos e pelas provações serem mais constantes é que devemos ter firmeza de propósito para perseverar neste caminho de conhecimento.

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança; Todo mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades” Luís Vaz de Camões

Isso não significa se embrutecer e não se adaptar. Darwin já dizia que sobrevive aquele que melhor se adapta, não o mais forte ou mais inteligente. Claro, que suas crenças serão o tempo todo questionadas e assim seja!

Isso é positivo. Hoje podemos ter uma opinião, que amanhã com mais conhecimento e informação mudará e que irá nos levar a refutar posicionamento passados e assim por diante.

Para finalizar esse texto deixo com vocês um pensamento do filósofo Immanuel Kant:

“O Sábio pode mudar de opinião, mas o ignorante nunca!”