Orixá e Santo não é bem de consumo e tampouco serviço que pode ser contratado!

Começo já com essa afirmativa forte, pois é necessário chamar a atenção.

Com as novas tecnologias e as comodidades da vida moderna a gente acaba por conseguir consumir apenas o que queremos. Vejamos, na década de 1980 (eu como um nascido nessa década me recordo bem) se queríamos ver um filme na TV deveríamos esperar as poucas emissoras resolverem exibi-los em programas como Sessão da Tarde, Tela Quente, Supercine, Sessão das Dez, etc.

Com o advento do videocassete e das videolocadoras, agora podíamos correr a um clube de vídeo e alugar um vídeo que gostaríamos de ver (depois de sair na porrada com algumas pessoas que queriam também a mesma cópia).

Isso foi melhorando cada vez mais e já na década de 1990 tivemos a inclusão dos serviços de TV por assinatura, TV a cabo ou TVs fechadas. Com diversos canas (bem diferente do que encontrávamos na década de 1980, ou seja, uns 5 ou 6 canais), a oferta ficou bem mais ampla e a gente acabou ficando bem mal acostumado.

Preciso falar do momento que vivemos? Com streamings diversos, com farta oferta de conteúdo e a gente podendo assistir na hora que quiser, parando quando quiser e pagando apenas um valor mensal?

Só que o grande problema é o comodismo que isso gerou, em todos os setores de nossa vida, principalmente no religioso.

Eu postei há algum tempo um vídeo sobre a Mironga do Pacto com o Seu Zé Pelintra, para ter fluxo constante de dinheiro no comércio ou na vida e nunca passar aperto (não é para enriquecer).

Esse é um vídeo que foi muito pedido, todo dia alguém me cobrava e que disponibilizei passo a passo, da forma mais didática possível.

Só que algumas coisas me chamaram a atenção nas mensagens que recebi após a postagem: a quantidade de pessoas perguntando se era possível substituir um item ou outro. Antes de prosseguir vou contextualizar o processo do “pacto”.

Veja o vídeo aqui:

O processo consiste em acender uma vela diariamente (vermelha ou branca, conforme o desejo da ação) e dar uma troca de cachaça ao Seu Zé Pelintra. Algo simples né? Além disso, toda vez que acender, abrir o coração pedindo ajuda do grande falangeiro.

Bom, vamos as perguntas que recebi:

– Preciso acender vela todo dia?

– Não posso substituir a Vela de 7 Dias?

– Tenho que dar cachaça todo dia?

Gente, isso me entristece! Apesar de ser uma dúvida totalmente honesta, a motivação das mesmas me beira quase a preguiça ou uma sensação de que o SANTO está a serviço da gente. Vou ali contratar o ZéPelintraFlix para arranjar um fluxo de dinheiro para mim! Poxa não é assim!

Existe um intuito de ser assim. Acender vela todos os dias nos faz visualizar o pedido todos os dias! Claro que você não precisa fazer isso aos finais de semana se a firmeza ficar no seu escritório ou comércio, tampouco se você estiver fora do local, viajando ou de férias, mas fora dessas situações específicas, o mínimo que podemos fazer é nos dedicar um pouco, certo?

Substituir por uma vela de 7 dias é para facilitar? Poxa, mas é justamente o oposto que é preciso… Acender uma vela de 7 dias, você só vai fazer a oração ou pedido uma vez por semana.

Por que não substituir a cachaça todo dia? Cara uma garrafa da mais barata custa uns 6 reais, daqueles marafos de exus vendidos em casa de Umbanda. Não precisa dar uma Anísio Santiago.

Sabe o grande problema? Vocês estão achando (e quando digo vocês é essa nova geração acostumada a serviço sob demanda) que os Santos, Orixás e Entidades são servidores de vocês, que eles são bens de consumo que vocês podem comprar em qualquer prateleira de loja, que eles são serviços que vocês podem ativar via aplicativo no celular.

Isso demonstra a falta de respeito que existe para com o astral! Se você tiver esse pensamento, desrespeitoso, para com as entidades, elas não terão pensamentos benéficos para com vocês! Elas não estão escravizadas ou submissas aos seus comandos.

Faça sua parte, dê o que é preciso e aceite a troca! Se você tiver preguiça demais para seguir o que precisa seguir, então pare! Saia da macumba, pois aqui o negócio é transpiração e joelho no chão para oração!

Saravá Seu Zé!