O médium novato tem diversos tipos de dúvidas e uma das mais comuns é a respeito do seu preparo mediúnico, de saber se está pronto para atuar como médium e principalmente como é esse processo de desenvolvimento.

Hoje, com os cursos a se multiplicarem, perdeu-se o contato do Pai Espiritual com seus filhos, causando um distanciamento que gera insegurança e perturbação. Como o objetivo hoje é incorporar a qualquer custo, muitas dessas questões acabam ficando sem respostas pelo caminho, o que novamente fará com que o médium se torne inseguro e preocupado, não resultando disto uma boa mediunidade.

Antes de definir quando estará o médium pronto, precisamos compreender como é o processo de desenvolvimento mediúnico. Para a maioria das pessoas o surgimento da mediunidade se dá em um processo traumático ou de sofrimento, justamente por isso eu acredito que o termo “desenvolvimento mediúnico” não é adequado. Dentro dessa observância eu percebo que o termo “Educação Mediúnica” é um termo mais correto.

O sofrimento pela não-educação mediúnica se dá pela abertura dos canais psíquicos e energéticos para toda forma de energia circulante. O médium é um receptor de energias sutis, por meio de seus chakras ele se conecta no plano astral com as entidades espirituais. Para saber mais sobre esse tipo de conexão, recomendo a leitura do artigo: Os Chakras e o Processo Mediúnico.

Temos um responsável por gerenciar essa nossa mediunidade no plano espiritual, que é chamado de Chefe-de-Coroa, dentro do jargão de terreiro. Esse chefe de coroa, faz uma triagem e define quem pode ou não assumir controle ou impressionar os centros energéticos mediúnicos.

O que ocorre é que com nossa visão maniqueísta da vida, onde  bem e mal são as únicas opções, quando passamos por um processo de perturbação espiritual, obsessão espiritual ou até mesmo uma possessão, não queremos assumir que nosso Chefe-de-Coroa permitiu que o mesmo ocorresse.

De fato, em muito ele permite que isso ocorra para que nós tenhamos um alerta de que algo precisa ser feito para educar a mediunidade, fechando essa “porteira energética”. Logo, no fim, tudo será para o nosso benefício.

Quando procuramos um “curso de desenvolvimento mediúnico” vamos com a esperança de conseguir educar essa mediunidade e de receber os guias espirituais que irão trabalhar conosco. Contudo, a maior parte das pessoas deve fazer uma educação mediúnica, justamente para não “receber” guia algum, apenas dominando essas faculdades e impedindo que qualquer espírito vagante se apodere de seus dons para motivos frívolos.

Certo em sua missão de que há a mediunidade como um processo ativo, ou seja, há uma mediunidade missionária, então deve-se proceder para os lides da educação mediúnica focada no atendimento. Em meio as “giras de desenvolvimento” o médium é preparado para se familiarizar com as energias que irão, harmoniosamente na maioria das vezes, atuar dentro do seu espectro energético.

Contudo, essa harmonia desejada, pode ser muito conturbada no início, sendo um processo bem perturbador e até mesmo grosseiro. Isso se dá pelo fato do guia ter que adaptar a sua vibração energética a nós e nós também fazermos o processo inverso, assim, encontrando as vibrações em um caminho do meio, para equalizar então esse processo que chamamos de incorporação.

Esse processo de afinidade com o guia-espiritual deve ser repetido para cada uma das entidades atuante na sua coroa mediúnica, ou seja, com o Caboclo, com o Preto-Velho, com o Baiano, com o Exu, etc. Após esse processo, o médium aprendiz deverá ser submetido a uma imersão em uma gira de atendimento, pois é bem diferente incorporar dentro de uma gira específica para o desenvolvimento da mediunidade, pois todas as energias estão focadas para os médiuns, sem ataques energéticos, sem o contraditório energético das pessoas que procuram auxílio e principalmente sem os pensamentos negativos.

Em uma gira normal de atendimento o médium passará por uma experiência durante certo tempo, até que ele consiga se harmonizar com os guiar da mesma forma que conseguia nas giras de desenvolvimento. Quando este estiver firmado, ou seja, com as inseguranças controladas (mas nunca extintas) e principalmente quando esse perceber que não está tomando a frente do seu guia, ele poderá passar a fazer atendimentos.

Claro, que durante esses primeiros atendimentos ele não estará pronto ainda, isso irá demorar certo tempo. Creio eu que toda a sua vida espiritual. Não há como precisar um tempo exato para saber quando o médium está realmente apto a fazer seu trabalho. O que os guias nos conferem é a segurança para que o melhor seja feito, desde que os médiuns se comprometam a se melhorarem também.

Os guias-chefes do terreiro geralmente determinam quando um médium deve passar do desenvolvimento para o aconselhamento e então para o atendimento das pessoas. A questão é não ter pressa para isso e se dedicar ao máximo quanto ao seu crescimento espiritual, sempre lembrando que depende mais de você do que dos guias que lhe assistem.

O médium estará firme com seu guia quando ambos tiverem o mesmo objetivo que é a prática da caridade.

 


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