A Alimentação pode atrapalhar a vida espiritual? Poderia uma dieta desregrada atrapalhar o desenvolvimento e a prática mediúnica? Tenho certeza que já disseram tudo e mais um pouco sobre isso para vocês, mas sempre com opiniões conflitantes. Longe de querer responder definitivamente esse tópico, mas acredito que posso dar uma contribuição não só como espiritualista e médium, mas também como naturopata.

Existe uma certa regra antes dos trabalhos mediúnicos que damos o nome de “Preceito”. Dentro dessas regras de conduta está o aconselhamento a não ingestão de bebidas alcoólicas e também ao não consumo de determinados tipos de comida. Tudo isso para que o trabalho mediúnico seja melhor desenvolvido. Claro que os preceitos não se restringem só a alimentação, mas para saber mais sobre isso leia nosso texto “Preceitos – O que sai da boca, isso é o que contamina o homem”.

Claramente, que se há uma regra para evitar certos alimentos antes da prática, podemos dizer que alguns alimentos realmente prejudicam a pratica espiritual, certo? Não é bem assim…

A restrição alimentar não se impõe só pelo tipo de elemento que se ingere, mas sim pela sua dificuldade de digestão e pelo trabalho e energia que será despendido para que esse tipo de alimento seja digerido. Exemplificando, um dos alimentos não recomendados antes dos trabalhos mediúnicos é a proteína animal, principalmente carne vermelha.

Isso não se dá pela carne vermelha, supostamente, possuir energias negativas de sofrimento, pois o animal foi morto, etc e tal como prega o discurso padrão que ouvimos por aí. De fato, a não recomendação se dá pelo simples fato de que a carne vermelha, naturalmente, tem moléculas e cadeias proteicas, de maior complexidade, necessitando que o nosso organismo dedique um tempo maior (e por consequência mais energia) para digerir ou quebrar essas cadeias em estruturas menores que podem ser absorvidas e utilizadas pelo nosso organismo.

Tudo isso é normal! Dentro dos padrões esperados pela biologia, digamos assim.

De fato, terei que dar uma opinião, que pode soar como “posicionamento”, porém, não é a intenção. Atualmente há um grande movimento contra a alimentação de origem animal, seja por ideologias ou por supostos benefícios a saúde. Contudo, não temos provas definitivas sobre isso. Basta pegar qualquer periódico médico de 1950 até os dias atuais e ver quantas vezes que o ovo, a manteiga e outros elementos foram taxados de vilões e na sequência são dados como mocinhos, para a saúde.

De fato sabemos muito pouco, realmente, sobre alimentação. Alimentação influenciando a vida espiritual então, sabemos menos ainda.

Em defesa do vegetarianismo e do veganismo, vemos algumas obras de teor ideológico e dentre elas alguns livros de Ramatis, escritos por Hercílio Maes, principalmente o “Fisiologia da Alma”. Não quero contrapor Ramatis em sua totalidade, até mesmo porquê tem livros dele com informações muito interessante que tangem a mediunidade e os trabalhos de magia e de cura. Contudo, devemos lembrar que o mesmo Ramatis que defende uma vida vegana é o Ramatis que escreveu sobre uma sociedade altamente evoluída em Marte.

O que quero dizer é que tudo deve ser passado pelo crivo da Razão, antes de ser aceito como verdade!

Voltando ao exemplo da carne, é bem possível que ao consumir um bife bovino, seu organismo precise concentrar uma maior quantidade de sangue nutrindo os tecidos da região digestiva e por consequência a energia ali estará acumulada. Energia esta, que deveria ser utilizada para o trabalho mediúnico. Logo, não quer dizer que é impossível você trabalhar mediunicamente se comer alguns tipos de alimentos, mas isso será mais dificultoso.

Temos também que trabalhar no sentido de parar de ver “energias negativas” em tudo. Essa triste mania é um fenômeno dos nossos tempos atuais, o qual chamo de Esquizofrenia New-Age. Estamos muito focado em “Good Vibes” e “Beijos de Luz” e pouco focados em realmente estudar as temáticas que nos são pertinentes.

Como naturopata posso afirmar que a dieta deve ser bem equilibrada, com todos os alimentos que compõe a pirâmide alimentar e nutricional, sempre tomando cuidado com os excessos e com os alimentos que são, claramente, prejudiciais para a nossa saúde. Contudo, devemos nos focar mais é em diminuir a quantidade e não simplesmente deixar de consumir.

O ser humano hoje está onde está pois aprendeu a se nutrir de proteína animal, aprendeu a utilizar o fogo para melhorar a absorção dessa proteína, isso permitiu com que o cérebro dos “homens-das-cavernas” pudessem crescer em tamanho, permitindo assim a expansão da nossa consciência e de nosso raciocínio.

Somos formados de blocos funcionais e nutricionais, cada um com uma necessidade específica e simplesmente abolir os alimentos é pedir para uma doença e um desequilíbrio se instaurar. Já ouvi de diversos médicos nutrólogos, principalmente na época da Faculdade, que grande parte dos vegetarianos e veganos eram deficientes em ferro e algumas vitaminas.

Ouvi desses mesmos médicos nutrólogos, que eram especializados em alimentação equilibrada, com diversos cursos no Brasil e no Mundo, que muitos veganos e vegetarianos, acreditam que a suplementação com cápsulas simplesmente iriam resolver seus problemas. Contudo, não levavam em conta uma interação medicamentosa, no caso interação de vitaminas e outros compostos, que se anulavam quando consumidas ao mesmo momento. Também não levaram em consideração uma hipervitaminose por uso excessivo de complementos e suplementos sintéticos.

Como estudo, olhamos casos de pacientes que tinham deficiência de ferro, mesmo ele tomando suplementação. Um exame mais detalhado demonstrou que ele consumia ferro e cálcio em proporções incompatíveis, ou seja, consumir fonte de ferro e cálcio conjuntamente causam um subaproveitamento de ambos, gerando a deficiência. Em outras palavras, vai para o esgoto, tudo isso que você está tomando.

Contudo, temos também as boas associações, como é o caso do ferro com a vitamina C. Esta vitamina melhora a absorção de ferro pelo organismo.

Lembrando que a deficiência de ferro é um dos mais frequentes problemas em pessoas com dietas restritivas. O ferro é um componente vital, fazendo parte de diversas estruturas do corpo, sendo essencial para o transporte de oxigênio para as células do corpo e também para os músculos. É um dos componentes básicos das hemácias, ou seja, de uma das estruturas básicas do sangue, responsável pelo transporte de oxigênio para as outras células. Sem contar que é essencial para a fecundidade, a gestação e para evitar que o bebê desenvolva alguns problemas de saúde, quando ainda na gestação.

Porém, esse tipo de nutriente é encontrado predominantemente nas carnes, seja bovina ou de aves e em menor quantidade em feijões e folhas verdes. Desta forma, para consumirmos uma quantidade adequada de ferro, teríamos que consumir muitas folhagens e muito feijão, porém sem a mesma eficiência proteica. Seria uma vida acompanhada de um nutricionista e nutrólogo para medir os níveis de cada uma das vitaminas e dos minerais de nosso organismo e convenhamos, isso está muito longe de ser algo saudável.

Essas formas de consumo adequada são encontradas em diversos tipos de nutrientes, como por exemplo a Vitamina D combinada com o Cálcio, melhora a absorção deste último; o uso de vitamina E com alimentos que tenham gordura, melhoram sua absorção e eficiência, etc.

Do ponto de vista da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) a energia da vida (Qi) é de certa forma um produto da nossa Energia Essencial + Energia da Respiração + Energia da Alimentação. Esse mesmo Qi não tem mobilidade por si só, sendo necessário que o Xue (sangue) o carregue pelos vasos sanguíneos (e por consequência os meridianos ou rios de Qi). Não ter ferro no sangue, impede a saúde e a mobilidade do mesmo, logo todo nosso sistema energético também ficará comprometido. Desta forma, nosso sistema espiritual e mediúnico, que requer equilíbrio entre o físico e o energético, também será prejudicado.

Acredito que são muitas informações aqui encontradas, que podem ir contra ao que é costumeiramente propagado pelas redes sociais e pelos grupos ideológicos, porém são de vital importância para um discernimento mais apurado e uma compreensão melhor de toda a estruturação do ser humano. Afinal, quando falamos de Espiritualidade, também falamos de HOLOS (Holístico) que compreende o Todo.

Não somos apenas partes, ou seja, hoje não sou apenas materialista, amanhã serei energético e depois espiritualista. Nós somos tudo ao mesmo tempo e a todo momento. Então, o equilíbrio deve ser constante.

Nós não queremos fazer uma “contra-apologia” as ideologias alimentares, só queremos que sejam buscadas informações corretas, sem paixão e com racionalidade.