Costumo dizer que religião é escolha e não importa qual a sua, contanto que esteja feliz e seguro. Escolher a religião a seguir tem a ver com sua identidade e com seu DNA, ou seja, trata-se de uma decisão absolutamente pessoal e intransferível.

Além disso, escolher uma religião apenas pela sua proposta de ganho é muito superficial e, de certa forma, demonstra imaturidade emocional. Sou absolutamente a favor da mudança, e acho que elas acompanham nossa transformação. Como uma peregrina da fé, devido as passagens religiosas que tive, considero a mudança algo saudável e positivo. Afinal, foram essas mudanças que me ampliaram a visão, me permitiram adquirir mais conhecimento e encontrar respostas onde muitos não fazem.

Contudo, a cada passo, a cada mudança, é necessário mergulhar neste novo caminho, estudando, refletindo, questionando, afirmando. São as quedas que nos fazem fortes e os tropeços nos trazem nova perspectiva. A cada questionamento que alguém me faz, encaro como uma oportunidade de aprofundamento na religião que estou, e no caminho que estou seguindo. A cada pergunta que não sei a resposta, reconheço ser mais uma chance de buscar entendimento e sedimentar a minha fé.

Religião é escolha, é caminho, é forma de vida. Oxalá cada uma de nós tivesse a liberdade, de fato, de expressar sua opção religiosa assim como expressamos nossa sexualidade. Quando me refiro a expressar, estou dizendo confessar sua escolha independentemente de julgamento, de ataques ou retaliação.

Infelizmente a liberdade de expressão religiosa no Brasil não é uma realidade, é uma utopia. E não há nada pior do que lidar com o diferente, com a opinião divergente, com agressividade ou indignação. O pensador japonês, Mokiti Okada, ao refletir sobre a nossa universalidade religiosa, propõe a seguinte reflexão:

“Pensamentos egocêntricos que levam pessoas a formar grupos que, dizendo-se detentores de determinada ideologia ou pensamento, consideram eu e os demais como inimigos, não só geram erros para a Nação, como também constituem um obstáculo para a paz mundial.” (Texto: Precisamos ser universais)

Nos estudos sobre religião observo uma constante nas publicações, a dificuldade de nos mantermos atualizados, no campo das religiões, diante tantas opções religiosas que temos atualmente. Religião se tornou um mercado atraente e diante uma pequena diferença de opinião entre grupos, há sempre a oportunidade de abrir uma nova vertente. Esse resquício que começa lá com a Reforma Protestante e que inaugura a escolha religiosa pelo adepto, permite hoje uma pertença múltipla.

Cada vez mais vejo pessoas que pertencem a diversas religiões ou ordens religiosas, espiritualistas, em busca, unicamente, da sua felicidade pessoal. Então fica a pergunta: que mal há nisso? Se a mudança religiosa servir para nossa elevação espiritual, então que possam fazer sempre escolhas sadias, mesmo que ilógicas para os outros. No entanto, se a mudança for para conveniência material, então será o mesmo que uma planta sem raiz. Pois ainda segundo Okada, precisamos ser seres humanos do presente, “… progredindo passo a passo, pacientemente, visando à perfeição, principalmente no que se refere a espiritualidade”.

Façamos então escolhas espiritualmente saudáveis, próprias e seguras.

Eram essas as palavras que gostaria de ter falado a um amigo em sua jornada espiritual.