Deuses Indígenas do Brasil

deuses-indios[1]Tive contato com essa matéria postada no site Curto e Curioso e que achei bem interessante, não sei a veracidade das informações, mas já é algo que pela simples chamada nos coloca a pensar. Por que cultuamos deuses estrangeiros – Europeus e Africanos – mas nos esquecemos dos nossos próprios deuses nativos? Os nossos encantados trabalham com outras roupagens e a gente nem sequer dá valor a eles dentro das tradições. Acompanhe algumas informações sobre os deuses indígenas.

Você pode ver o artigo original em Curto e Curioso.

Nhanderuvuçu
NhanderuvuçuConhecido também como Nhamandú, Yamandú ou Nhandejara, é considerado como o deus supremo da mitologia tupi-guarani. Nhanderuvuçu não tem uma forma antropomórfica, pois é a energia que existe, sempre existiu e existirá para sempre, portanto Nhanderuvuçú existe antes mesmo de existir o Universo. No princípio ele destruiu tudo que existia e depois criou a alma, que na língua tupi-guarani se chama “Anhang” ou “añã”; “gwea” significa velho(a); portanto anhangüera “añã’gwea” significa alma antiga. Nhanderuvuçú criou as duas almas e, das duas almas (+) e (-) surgiu “anhandeci” a matéria. Depois ele desejou lagos, neblina, cerração e rios. Para tudo isso, ele criou Iara, a deusa dos lagos. Depois criou Tupã que é quem controla o clima, o tempo e o vento, Tupã manifesta-se com os raios, trovões, relâmpagos, ventos e tempestades, é Tupã quem empurra as nuvens pelo céu. Nhanderuvuçú criou também Caaporã (Caipora) o protetor das matas por si só nascidas, e protetor dos animais que vivem nas florestas, nos campos, nos rios, nos oceanos, enfim o protetor de todos os seres vivos.
Iara
IaraDeusa das águas, também conhecida como Uiara, ela é vista como uma linda sereia que vive nas profundezas do rio Amazonas, de pele parda, cabelos verdes longos e olhos castanhos.
Abaçai
AbaçaiÉ o deus da guerra, um tipo de ‘Áries’ ou ‘Marte’ dos nativos. É o espírito guerreiro que se apossa do índio que se prepara para batalhas sangrentas. Por isso, dizem que aqueles preparados para a guera estão “abaçaiados”. Nota do Perdido: Existe uma música da banda paulista O Teatro Mágico chamada Abaçaiado.
Angra
A deusa do fogo da mitologia tupi-guarani.Angra
Andurá
AnduráUma árvore fantástica e surreal, que a noite se inflama subitamente, se parecendo bastante com a forma através da qual o deus judaico-cristão se comunica com seus profetas.
Chandoré
Deus da mitologia tupi-guarani. SeguChandoréndo a lenda, teria sido enviado para matar o índio malvado Pirarucu, que desafiou Tupã, mas fracassou, pois Pirarucu se jogou no rio. Como castigo o índio transformou-se em um peixe, que leva o seu nome.
Sumé
sum_Também conhecido como Zumé, Pay Sumé ou Tumé, entre outros nomes, é a denominação de uma antiga entidade da mitologia dos povos tupis do Brasil cuja descrição variava de tribo para tribo. Tal entidade teria estado entre os índios antes da chegada dos portugueses, e transmitido uma série de conhecimentos como a agricultura, fogo e organização social, e seria uma espécie de deus das leis e das regras. Era visto com cabelos amarelos, voava por todo lugar, e inclusive mergulhava sob as águas do mar, até quando desapareceu. Sumé deixou dois filhos, Tamandaré e Ariconte, que eram muito diferentes e odiavam um o outro. Nota do Perdido: Fizemos uma postagem sobre essa divindade no blog: Pai Sumé, o Espírito Guardião do Brasil.
Rudá
rudáO deus do amor, que vive nas nuvens. Seu trabalho é o de despertar o amor no coração das mulheres. Equivalente a deusa Hathor da mitologia egípcia, Vênus da mitologia romana, e Afrodite da grega.
Tupã
Tup_deus_1Seria um tipo de líder na mitologia tupinambá, senhor dos trovões e tempestades. Em analogia simples, poderia ser comparado ao deus grego Zeus, ou mesmo ao deus nórdico Thor, pois ele compartilha a mesma explicação comum nos deuses dos povos antigos para os relâmpagos. Tupã também tem a característica da onipresença, que é muito comum nas religiões cristãs, judaica e islâmica. Os jesuítas, na época da colonização, difundiram uma opinião errônea de que o trovão em sí seria um deus indígena, sendo que na verdade, ele é apenas a maneira utilizada por Tupã para se expressar.
Jaci
JaciA deusa da Lua e da Noite seria responsável pela magia e encanto dos homens. Teria sido criada por Tupã para dar beleza à Terra. Irmã de Iara (deusa dos lagos serenos), Jaci tornou-se esposa do próprio Tupã. Outras versões da mitologia indígena dizem que Jaci seria esposa e/ou irmã Guaraci, o deus Sol. Jaci é equivalente a Vishnu dos hindus e Ísis dos egípcios.
Guaraci (ou Quaraci)
Guaraci 1Guaraci é a representação do deus Sol, responsável pela luz, vida e pureza do planeta Terra, assim como Brahma (hinduísmo) e Osíris (egípcio).
Yorixiriamori
YorixiriamoriEsse deus encantava as mulheres com seu belo canto, o que despertou a inveja dos homens que tentaram matá-lo. Por isso, ele fugiu para o céu sob a forma de um pássaro. É um personagem do famoso mito “A árvore cantante”, dos índios Ianomâmis.
Anhangá
AnhangáOs jesuítas propagaram a imagem errônea de que Anhangá seria o equivalente ao Diabo da religião Cristã, porém, Anhangá (que significa espírito) seriam almas que vagam pela Terra, que podia assumir qualquer forma, mas que seria mais visto como um veado com olhos de fogo. Além disso, Anhangá seria o protetor dos animais, protegendo-os contra caçadores. Quando um animal consegue escapar miraculosamente durante uma caça, os índios atribuem tal façanha a Anhangá. Nota do Perdido: Anhangabaú é o nome de um Ribeirão canalizado que existe na cidade de São Paulo, originalmente dado como Anhangabahy ou Anhangabahú, do tupi que significa: “Rio do mau espírito”. Os índios diziam que quem bebia dessas águas era atormentado por maus espíritos.
Jurupari
JurupariFilho da índia Ceuci, que após comer um fruto proibido para moças no período fértil (fruta mapati), ficou grávida miraculosamente, após o suco da fruta escorrer pelo seu corpo nu. Quando o conselho de anciãos soube da história de Ceuci, ela foi punida com exílio, onde teve seu filho, chamado Jurupari, enviado do deus Sol Guaraci, que teria como missão reformular os costumes e o modo de vida dos homens, que eram submetidos às mulheres. Visto como o grande Legislador, com 7 dias de vida já aparentava 10 anos de idade, e sua sabedoria atraiu as pessoas que ouviam seus ensinamentos enviados pelo deus Sol. Por sua vez, a história contada pelos jesuítas atribui Jurupari a uma espécie de demônio que visita os sonhos das pessoas, dando origem aos pesadelos, pois o ritual de Jurupari era o mais praticado na época da colonização. O ritual exclusivo para homens, inclui músicas com flautas, flagelações, tabaco e coca e alucinógenos.
Ceuci
Ceuci 1Deusa da lavoura e das moradias, representada pela estrela mais brilhante da constelação de Plêiades. Quando na Terra, era mãe de Jurupari, o enviado do Sol/Guaraci, se submeteu ao novo método patriarcal das tribos. As mulheres não podiam participar dos rituais de Jurupari, pois os deuses matariam a intrusa. Certa vez, Ceuci com saudade de seu filho, aproximou-se dele durante um cerimonial, e foi quando ela foi atingida por um raio, enviado por Tupã. Jurupari, também filho do Sol, foi enviado para ressuscitá-la, mas não o fez para não desobedecer a lei dos deuses. Ele a acalmou dizendo que iria brilhar no céu, e encontrar o deus Guaraci, e nesse momento, Jurupari chorou. Por isso, quando faz Sol e chuva ao mesmo tempo, os índios dizem que o espírito de Jurupari está por perto.
Akuanduba
AkuandubaUma divindade dos índios araras, toca a sua flauta para dar sustentação e ordem ao mundo, representando a harmonia divina.
Wanadi
WanadiDeus dos iecuanas, faz parte de um mito em que o Sol teria criado três seres vivos para habitar o mundo. Apenas Wanadi nasceu perfeito enquanto que os outros dois seriam responsáveis pelo mal do planeta.
Yebá Bëló
Yebá BëlóChamada de “mulher que apareceu do nada”, é citada como a responsável pela criação da humanidade segundo os Dessanas. De acordo com a lenda, teria moldado os homens e mulheres das folhas de coca que masca, chamadas de ipadu.
Caipora
CaiporaO nome caipora vem do tupi-guarani Caapora, e quer dizer “habitante do mato”. Caipora é representado pela forma de um índio jovem, coberto de pelos e vive montado em uma espécie de porco-do-mato. Ele é o guardião da vida animal. É ele que estala os galhos, faz assobios e dá falsas pistas para desorientar os caçadores. Reza a lenda que Caipora seria canibal, se alimentando de tudo e todos que caçam nas florestas, punindo homens, insetos ou até outros animais. Caipora é responsável por punir, principalmente, aqueles que caçam além da necessidade.
Tupi
Tupi deusPersonagem primordial de todos os povos tupis. O antepassado principal, que deu origem à todos os índios. Por isso, muitas nações tupis criaram seus nomes como homenagens a tupi: tupinambás, tupiniquins, tupiminós, tupiguaés, etc…

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Terapeuta Natural (Naturopata) e futuro Acupunturista, Idealizador do blog Perdido em Pensamentos e pretenso escritor. Geminiano com ascendente em Leão e lua em Touro, acredita que toda forma de estudo é importante. Médium umbandista e eterno questionador, tem interesses em temas como: Espiritualidade, Espiritismo, Umbanda, Magia e Terapias Naturais. É apaixonado pela cidade de São Paulo, onde tudo é possível. Colecionador de livros, principalmente sobre Umbanda (quanto mais antigo melhor).

Douglas Rainho

Terapeuta Natural (Naturopata) e futuro Acupunturista, Idealizador do blog Perdido em Pensamentos e pretenso escritor. Geminiano com ascendente em Leão e lua em Touro, acredita que toda forma de estudo é importante. Médium umbandista e eterno questionador, tem interesses em temas como: Espiritualidade, Espiritismo, Umbanda, Magia e Terapias Naturais. É apaixonado pela cidade de São Paulo, onde tudo é possível. Colecionador de livros, principalmente sobre Umbanda (quanto mais antigo melhor).

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  • Anônimo

    Matéria muito interessante.

  • Bonita versão!!
    Ha’ewete.

  • Vale a pena lembrar que esses deuses estão mais ligados à mitologia Guarani… não podemos esquecer que o brasil possui centenas de etnias nativas com uma diversidade mitológica riquissima…

    ademais, bela matéria.

    • Sim, de fato. A cultura indígena é incrível e bem diversificada, porém muito esquecida. A mitologia guarani ainda foi preservada devido as questões dos padres jesuítas, mesmo assim, muito deturpada. =) obrigado.

  • Gostei muito da matéria e salvei para consultas posteriores. Pesquiso e muito me interesso por essa temática.
    Acho que vale a pena comentar, em alusão à introdução do post, que religiões indígenas foram sincretizadas com as afro-brasileiras em maneiras muito mais profundas do que se tem notícia. Com efeito, poderíamos chama-las de afro-ameríndias, como é feito em alguns locais, ou ainda, com mais precisão, afro-ameríndio-brasileiras. No Brasil, por exemplo, existe uma variação de Candomblé, chamado Candomblé de Caboclo, que tem por centro o culto a essa entidade, que representa o indígena brasileiro (nessa crença, caboclo = indígena). Esse culto se origina da tradição congo-angoleira (dos povos escravizados oriundos dos atuais Angola e Congo) de culto aos antepassados (pessoas mortas), em que pessoas de grande prestígio que já morreram se incorporavam nos vivos por meio do transe mediúnico, para passar conselhos para a vida. O culto é aqui a caboclos porque o antepassado do Brasil é o índio. E no caso, Caboclos também são cultuados na Umbanda, na Jurema e em outras tradições religiosas afro-brasileiras. Igualmente, os africanos trazidos ao Brasil pela trata de escravos aprenderam aqui com os indígenas – com quem sofreram juntos a violência do colonialismo europeu – segredos de plantas brasileiras, hoje importantes como elementos ritualísticos, para induções de transe e outros. Isso foi importante, pois não havia por aqui a disponibilidade das mesmas plantas da África. E, claro, a mesma analogia desses deuses indígenas feita com deuses hindus também pode ser feita com orixás brasileiros (da forma como são conhecidos por aqui e não na África, Cuba ou outros países), por vezes com extrema semelhança…
    Enfim, gostei muito do texto. Espero que meu comentário sirva a contribuir para outros posts como esse.
    Abraços!

    • Obrigado Guilherme pelo seu comentário. Muito do que você colocou é também defendido e explorado em outros artigos quando tocamos em assuntos relativos a Umbanda. Dá uma olhada nos outros artigos também e comente sempre. Gratidão.

  • nÃO vÍ NADA SOBRE A jUREMA, A cABOCLA jUREMA

  • ….só assim a ente descobre a origem do nome de várias localidades no Brasil: Tupã/SP, Iara/SP. Sumé/PB, Tupi/MG, Jaci/MT, Andurá/TO…eu tenho certeza que se eu olhar um por um vai ter uma localidade que leva o nome….isso só mostra que o Brasil é deles, não dos portugueses

  • Estou encantada com este conhecimento.
    Que riqueza nossa cultura originária!

  • Antônio Costa da Silva

    Gostaria,de saber um pouco mais sobre o assunto

    • Douglas Rainho

      Procure no blog por mitologia guarani e você encontrará mais textos.