A Teatralidade de Umbanda

Até onde os trejeitos das entidades e dos médiuns é importante dentro da Umbanda? Recebi essa pergunta e também outras que se assemelham sobre esta questão. Neste artigo vamos tentar esmiuçar um pouco sobre isso, pois, como sempre é bom lembrar, as muitas Umbandas podem divergir sobre isto.

Quando vamos a um terreiro de Umbanda é bem comum ver certas manifestações nos médiuns como: Tremores (Tremeliques), Arrepios, Pulinhos com um pé só – parecendo que tá perdendo o equilíbrio, etc. Além disto, também podemos perceber que algumas entidades ao se manifestarem tem diversas formas de se portarem: Caboclos levantando o pé, Pretos-Velhos encurvados, Baianos dançando, Exus com mãos em garras e afins.

Mas até onde isso é realmente um trejeito da entidade ou influência do médium?

A Umbanda é uma religião com forte apelo folclórico, ou seja, tem muito da cultura popular e das manifestações dos povos. Assim sendo, é importante demais saber que o folclore não está sendo usado aqui de maneira inferior, mas como uma valorização da cultura.

Desde o primeiro momento, os espíritos de Umbanda manifestam seus trejeitos para em partes reforçar os arquétipos e em partes para assegurar ao consulente que se trata de um espírito de Umbanda. Claramente o espírito já encarnou por diversas vezes e poderia escolher se apresentar como mais lhe agradar, porém muitos se utilizam dos arquétipos da Umbanda para reforçar o trabalho e legitimar essa manifestação mediúnica folclórica. Sejamos sinceros, quem gosta de passar com um Caboclo que fala sobre E-mail, Celular e afins? Ninguém! Ainda mais quando achamos que é o Caboclo Smartphone, ou seja, não é caboclo algum, apenas o médium.

Os espíritos que se manifestam na Umbanda podem até ter uma ascensão maior do que a que se manifestam, ou seja, podem ter conhecimentos maiores, mas se manifestarem de maneira simples. Em muitos casos podemos ver pretos-velhos inteligentíssimos, fazendo de conta que não entenderam direito o linguajar do consulente. Isso não é uma mentira, mas apenas uma teatralidade! E justamente essa teatralidade é importante para a manifestação em uma religião tão cheia de folclorismos.

Aqui devemos lembrar de algumas situações, como já dito, sobre o folclore. A palavra folclore teve seu significado muito deturpado, alguns associam folclore a algo limitante, negativo e primitivo. Neste caso usamos exatamente o oposto, como uma palavra que encerra um conjunto complexo de crenças, festividades, lendas e muito mais. Além disto, devemos também lembrar que as manifestações devem ser pautadas no bom senso.

Um espírito de Umbanda, quando dentro da Lei de Umbanda, sabe até onde a manifestação se torna funcional e quando ela começa a parecer com algo circense. Infelizmente o que mais vemos hoje é gente totalmente perdida, em devaneios, criando animismo e mistificação em nome dos guias de umbanda.

Então usar aquelas roupas chiques e caras, brincos, pulseiras, anéis, chapéus, capas, cartolas, espadas, estolas douradas e afins, nada mais é do que mostrar algo material para chamar a atenção da consulência. A maioria das vezes isso é apenas um fetiche do médium e os espíritos sérios acabam se afastando desses médiuns, não por eles usarem roupas, mas porque eles estão mais preocupados em mostrar a roupa do que realmente trabalhar para a prática de caridade.

A maior parte das pessoas que se manifestam dessa forma, estão apenas sobre irradiação da entidade, que justamente pela dificuldade do médium permitir o contato mediúnico, acaba afastando as entidades e ficando naquela “quase” incorporação. Isso também se dá por meio do uso de elementos.

Quantos médiuns / entidades por aí não aparecem usando capas de veludo, espadas de magos ou de cavaleiros templários e toda uma parafernália incrível? Quantas não pedem Whisky 18 anos, Champanhes caríssimas, taças decoradas e jóias? Tudo isso vai mais da psiquê desequilibrada do médium, do que propriamente da entidade.

As entidades precisam apenas do médium para o trabalho e no máximo de um copo de água e uma vela branca. Vamos ponderar!

Quem é que curte ver erês misturando farofa, bolo, guaraná e pirulito e MANDANDO o consulente comer porque está benzido? No máximo isso irá acarretar uma depuração na pessoa, pois com certeza causará uma “dor de barriga” tremenda.

Pior ainda quando os médiuns querem aparecer de toda forma, para atrair maior número de “clientes” para si. Temos que ter muito cuidado com isso…

Mediunidade é algo sério e deve ser encarada de forma correta, senão daremos vazão a muita coisa errada, distorcida e deturpada. Isso só irá contribuir negativamente para uma religião que já é tão perseguida pelas pessoas que não tem conhecimento. Se choca quem está dentro da Umbanda, imagina quem vê de fora? É isso que você deseja para sua religião?

Douglas Rainho

Terapeuta Natural (Naturopata) e futuro Acupunturista, Idealizador do blog Perdido em Pensamentos e pretenso escritor. Geminiano com ascendente em Leão e lua em Touro, acredita que toda forma de estudo é importante. Médium umbandista e eterno questionador, tem interesses em temas como: Espiritualidade, Espiritismo, Umbanda, Magia e Terapias Naturais. É apaixonado pela cidade de São Paulo, onde tudo é possível. Colecionador de livros, principalmente sobre Umbanda (quanto mais antigo melhor).

Douglas Rainho

Douglas Rainho

Terapeuta Natural (Naturopata) e futuro Acupunturista, Idealizador do blog Perdido em Pensamentos e pretenso escritor. Geminiano com ascendente em Leão e lua em Touro, acredita que toda forma de estudo é importante. Médium umbandista e eterno questionador, tem interesses em temas como: Espiritualidade, Espiritismo, Umbanda, Magia e Terapias Naturais. É apaixonado pela cidade de São Paulo, onde tudo é possível. Colecionador de livros, principalmente sobre Umbanda (quanto mais antigo melhor).

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