A Intolerância Religiosa, tolerada.

tristeza4[1]

Infelizmente os casos de intolerância religiosa só aumentam, não só no Brasil, como no mundo. Vemos uma propagação de ódio sendo manifestada em todas as mídias sociais e também nos meios de comunicação ortodoxos. A grande culpa por isso é de apenas uma pessoa: Você!

Sim, você mesmo. Eu, ele, nós, todos nós!

Nos últimos tempos tivemos o caso da menina de Candomblé que fora apedrejada, outro caso de uma menina em Curitiba e outras tantas manifestações que ocorrem diuturnamente, destruindo terreiros e afins. Porém, o que podemos dizer? Nós de culto afro-brasileiros nunca fomos unidos e pelo jeito,  nunca seremos. Não estamos preocupados em ter uma coesão de liberdade religiosa, apenas queremos fazer o outro aceitar  a sua verdade. Por que não podemos simplesmente defender a bandeira da liberdade religiosa e da liberdade de culto? Ainda nesse raciocínio, quantas vezes que você já não xingou um “crente” (Você sabia que existem vários tipos diferentes de evangélicos e que eles em sua grande maioria são pessoas boas?), já manifestou de forma jocosa o como o “crente” é imbecil por pagar o dízimo para o pastor, que enriquece a custa da fé alheia? Quantas vezes você não o chamou de torpe ou iludido, de ignorante e preso em mentiras?

Cobramos tanto tolerância religiosa e não somos tão tolerantes assim! Nós Umbandistas, Candomblecistas e até mesmo alguns espíritas, nos julgamos muito melhores que os outros, e com isso temos a liberdade de sermos verdadeiros ignorantes.

Esses dias no Twitter do Perdido eu manifestei exatamente essa ideia de que somos tão ávidos por tolerância mas somos totalmente intolerantes.  Sabe qual a resposta que obtive, de um rapaz que estava “defendendo” a menina que fora agredida em Curitiba? Ele me mandou um belo palavrão… Ainda assim, quando manifestei que eu era Umbandista, ele tentou apagar o Tweet e depois que percebeu que era tarde demais, pois já haviam retweets, ele tentou ainda mais desmerecer o trabalho que executo com passividade. Então quer dizer que,  por eu ser umbandista, ele se arrependeu, mas e se eu fosse um evangélico? Aí ele teria o direito de me agredir? Veja como está totalmente deturpada essa tal tolerância que queremos. A tolerância e a liberdade também prevê que eles possam manifestar seu próprio culto como melhor querem.

Dentro das fileiras de Umbanda, alguns ainda usam seus erros para justificar-se e acabam por incorrer em um erro de maior gravidade. Algumas figuras de expressão – que se denominam líderes, sacerdotes e pais e mães de santo – usam da agressão para alinhavar seguidores. Pior ainda é quando as ameaças começam a tomar o teor de demandas, macumbas e pior, quando usamos dos nossos mentores – principalmente Exus – para ameaçar ou amedrontar o próximo. Criam-se falácias e essas mesmas acabam sendo propagadas, mesmo sem qualquer tipo de comprovação ou fundamento.

idosoUm exemplo disso ocorreu comigo, em um dos muitos grupos de Facebook que participo. A imagem ao lado foi postada, porém a mesma é uma mentira, totalmente forjada. Usaram de uma notícia verdadeira e deturparam sua manchete, usando a credibilidade do portal de notícias G1 para dar um teor de verdadeiro para a falsa mensagem. Como podemos ver na notícia real, em momento algum a reportagem cita que a vítima era umbandista e que fora agredido por causa da religião. Eu, vendo uma manchete dessas, sempre procuro apurar o fato, procurando em outras fontes para confirmar a veracidade. Nesse caso, como era uma mentira, tentei mostrar para os raivosos comentadores do tal grupo que estavam cometendo um equívoco. Qual foi minha surpresa (ou nem tanto) quando, apesar deu ter comentado e linkado a notícia por três vezes, fui totalmente ignorado? Por que? Porque queriam acreditar naquela notícia falsa, queriam ter motivos pra odiar o próximo, queriam ter motivo para extravasar seus erros e suas paixões primitivas.  Porque nos falta completamente JESUS em nossas vidas. O ser humano foi a Lua, mandou robôs a Marte, sonda para Plutão, mas ainda assim, não conseguimos entender a mensagem do mestre nazareno.

Defender-se está totalmente dentro de nossos direitos, porém criar esse ódio só irá prejudicar a todos, generalizando tanto que evangélicos são imbecis e precisam ser exterminados, quanto para os evangélicos irá mostrar que somos uma ameaça a seu público. Vejam, somos o elo fraco, pois não possuímos representatividade legal e nem política. Culpa dos evangélicos? Não, culpa nossa mesmo!

A Umbanda é cristã, queira você ou não! Por consequência, a moral do Cristo Jesus é a direção que guia a todos os umbandistas. Jesus sempre pregou o amor, o perdão, além da humildade e a mansidão. Nunca pregou a guerra ou sequer o uso da força, inclusive quando Simão Pedro corta a orelha do soldado que foi prender Jesus, o mesmo repreende o apóstolo e ainda cura a orelha do soldado.

Eu sei que estamos carentes por mestres, por baluartes e por salvadores. Mas apenas nós mesmos é que podemos nos salvar. Cegamente, não chegaremos a lugar algum, eis o porque é tão importante a leitura da moral cristã, seja ela através da bíblia ou do evangelho segundo o espiritismo.

Tenho absoluta certeza de que esse artigo irá incomodar muitas pessoas, tirando-as de suas zonas de conforto e em breve farão aquilo que melhor fazem: Irão me ameaçar, tentando me amedrontar. Veja bem, não faço isso por notoriedade, mas por amor à minha religião e por acreditar fielmente no que ela prega, afinal Umbanda é a Manifestação do Espírito para Caridade e onde aprendemos com os mais sábios, ajudamos aqueles que precisam e jamais viramos as costas para ninguém, assim como já dizia o sábio Caboclo das 7 Encruzilhadas.

Terapeuta Natural (Naturopata) e futuro Acupunturista, Idealizador do blog Perdido em Pensamentos e pretenso escritor. Geminiano com ascendente em Leão e lua em Touro, acredita que toda forma de estudo é importante. Médium umbandista e eterno questionador, tem interesses em temas como: Espiritualidade, Espiritismo, Umbanda, Magia e Terapias Naturais. É apaixonado pela cidade de São Paulo, onde tudo é possível. Colecionador de livros, principalmente sobre Umbanda (quanto mais antigo melhor).

Douglas Rainho

Terapeuta Natural (Naturopata) e futuro Acupunturista, Idealizador do blog Perdido em Pensamentos e pretenso escritor. Geminiano com ascendente em Leão e lua em Touro, acredita que toda forma de estudo é importante. Médium umbandista e eterno questionador, tem interesses em temas como: Espiritualidade, Espiritismo, Umbanda, Magia e Terapias Naturais. É apaixonado pela cidade de São Paulo, onde tudo é possível. Colecionador de livros, principalmente sobre Umbanda (quanto mais antigo melhor).

Você pode gostar...

  • Gerson

    Parabéns!deveria haver mais pessoas pensando assim no mundo!

  • Augusto

    Dando continuidade a assuntos discutidos em outros posts, entre nos umbandistas, já existe intolerância. Quando temos que segregar “Umbanda exotérica”, “Umbanda Branca”, “Umbanda Sagrada” e as demais “Umbandas”, já estamos criando uma segregação, eu conheço a UMBANDA e ponto. Esta é plural, porém quando colocamos “rótulos” ou “sobrenome” é o início da discriminação. E mais adiante, não são todos, que fique bem claro, espiritas já me torceram o nariz e candomblecistas já me olharam com desdem ( como quem diz, a Umbanda é mais fraca ), inclusive em casas que já trabalhei, como sitado em outro post, o dirigente da casa, dizia que só se tornava “Pai de Santo” na Umbanda, quem “raspasse” no Candomblé. Acho que uma coisa nada tem a ver com outra, pois cada religião tem sua liturgia, mas infelizmente o preconceito esta arraigado no ser humano.