A Linha do Oriente na Umbanda

A linha do Oriente é uma das mais cercadas de mistérios e misticismos, pouco compreendida e que quase não se apresenta nos trabalhos nos terreiros de atualmente. Durante a década de 1960 e 1970 era uma linha muito popular, e acabava abarcando todas as linhas de antigas religiões ou povos extintos sob a luz da Umbanda.

O Oriente no caso não é no sentido geográfico, mas sim uma associação com grandes conhecimentos místicos, filosóficos e iniciáticos trabalhados  geralmente nas civilizações do oriente.

É dito que a regência dessa linha é feita por Oxalá e por Xangô – ou um aspecto de Xangô conhecido como Kaô – e que seu patrono é João Batista, o primo de Jesus que o batizou nas águas do Rio Jordão.

Está linha é dividida em sete legiões, sendo: Indianos; Árabes, Persas, Turcos e Hebreus, Chineses, Tibetanos, Japoneses e Mongóis; Egípcios;  Mais, Toltecas, Astecas, Incas e Caraíbas; Europeus;  Médicos, Curadores, Sábios e Xamãs.

Essa divisão um tanto heterogênica não é desprovida de méritos, são por aproximações culturais ou geográficas, e também de atuação desses espíritos trabalhadores.

A Legião dos Indianos é chefiada pelo Pai Zartu, ou também conhecido como Zartu Indiano, particularmente na casa onde trabalho esse Espírito Chefe também é chamado nos trabalhos de cura. Os trabalhadores dessa linha são de origem da Índia, sacerdotes antigos, brâmanes, yoguins, etc.  Ramatís, um espírito com diversos livros publicados, é associado a essa Legião.

A Legião dos Árabes, Persas, Turcos e Hebreus, é chefiada pelo Pai Jimbarue, e em suas fileiras estão os mouros, guerreiros do deserto chamados tuaregues, sábios árabes, os mulçumanos, rabinos judeus. Uma curiosidade é que esses rabinos sabem os mistérios da Cabala, e a usam nos atendimentos.

A Legião dos Chineses, Tibetanos, Japoneses e Mongóis é chefiada pelo Pai Ory do Oriente, Ori do Oriente em outra grafia, e é composta pelo povo que dá nome à linha, mas também pela falange dos esquimós. Uma falange quase esquecida, que não dá consulta – pelo menos nunca vi nenhum vir a dar consulta – mas que trabalhando no desmanche de demandas e magia negra e descarrego de fim de trabalho. A manifestação desses esquimós é curiosa, pois com quem já conversei, todos foram unânimes ao afirmar sentir um vento gelado subir pelas pernas.

A Legião dos Egípcios é chefiada pelo Pai Inhoarairi, e é composta pelos antigos sacerdotes da antiga religião egípcia. Em suas fileiras encontramos muitos magos que conhecem a magia contida no Livro dos Mortos, entre outros mistérios egípcios.

A Legião dos Maias, Toltecas, Astecas, Incas e Caraíbas, é liderada pelo Pai Itaraici, e é formada pelos espíritos de sacerdotes, chefes, guerreiros e pajés desses povos da América antes da chegada dos Europeus.

A Legião dos Europeus, liderada pelo Imperador Marcus I, é formada por sábios, magos, mestres e velhos guerreiros de origem europeia; romanos, gauleses, ingleses, escandinavos, etc.

A Legião dos Médicos, Curadores, Sábios e Xamãs, também conhecida como a linha da cura é chefiada por Pai José de Arimatéia, que em minha casa também é chamado juntamente de Zartu Indiano, Bezerra de Menezes e o Grande Pajé em uma linha de cura. Suas fileiras contam com espíritos especializados no poder curador, conhecedores das ervas, curandeiros, médicos, raizeiros, xamãs de diversas origens, portadores do dom do corte e da cura.

Alguns espíritos que fazem parte da Linha do Oriente são muito conhecidos tais como o Caboclo Sultão das Matas, o Orixá Mallet, o Caboclo Peri, O Pai Jacó do Oriente. A Linha dos ciganos antigamente costumava se manifestar nos trabalhos dessa Linha.

As características dessa linha abaixo são apresentadas segundo os estudos de alguns teólogos:

Locais de Oferendas: colinas descampadas, praias desertas, jardins reservados, matas, santuários ou congás (substituiria aqui o termo para altar de devoção) domésticos.

Velas: amarelas, azul-claras, rosas, laranjas e brancas.

Essências: alfazema, olíbano, benjoim, mirra, sândalo e tâmara.

Pedras: citrino, quartzo rutilado, topázio imperial (citrino tornado amarelo por aquecimento) e topázio.

Dia da semana para culto e oferenda: quinta-feira.

Lua propícia para oferenda mensal: segundo dia do quarto minguante ou primeiro dia da lua cheia.

Guias ou colares: com 108 contas, brancas e amarelas, intercaladas e fechadas com firma branca. As entidades indianas também utilizam o rosário de sândalo ou tulasi, com 108 contas (japamala). Alguns solicitam as guias de acordo com a irradiação e o mistério com que trabalham.

Uma oferenda para a Falange dos Médicos e Sábios Curadores, do Livro A Linha do Oriente na Umbanda, de Alberto Marsicano e Lurdes de Campos Vieira, para curas espirituais e físicas consiste em traçar no chão, com pemba branca, um coração com uma cruz dentro. Firmar uma vela dourada dentro da cruz e colocar um copo de água mineral sem gás e rosas brancas dentro do coração ao redor da cruz.  Mas ressaltam que para essa falange é a dedicação aos trabalhos de cura, com muito amor, desprendimento, firmeza e sinceridade a maior oferenda.

pontocura

Fontes:

– Livro A Linha do Oriente na Umbanda, de Alberto Marsicano e Lurdes de Campos Vieira, Ed. Madras

Terapeuta Natural (Naturopata) e futuro Acupunturista, Idealizador do blog Perdido em Pensamentos e pretenso escritor. Geminiano com ascendente em Leão e lua em Touro, acredita que toda forma de estudo é importante. Médium umbandista e eterno questionador, tem interesses em temas como: Espiritualidade, Espiritismo, Umbanda, Magia e Terapias Naturais. É apaixonado pela cidade de São Paulo, onde tudo é possível. Colecionador de livros, principalmente sobre Umbanda (quanto mais antigo melhor).

Douglas Rainho

Terapeuta Natural (Naturopata) e futuro Acupunturista, Idealizador do blog Perdido em Pensamentos e pretenso escritor. Geminiano com ascendente em Leão e lua em Touro, acredita que toda forma de estudo é importante. Médium umbandista e eterno questionador, tem interesses em temas como: Espiritualidade, Espiritismo, Umbanda, Magia e Terapias Naturais. É apaixonado pela cidade de São Paulo, onde tudo é possível. Colecionador de livros, principalmente sobre Umbanda (quanto mais antigo melhor).

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  • Gizele

    Adorei o artigo, parabéns!!!

    É a primeira vez que leio um texto tão bem explicado sobre a linha do oriente na Umbanda.
    Só escuto falar que os ciganos são dela e que algumas casas tem a linha de cura que os trabalhadores tb vem dela.
    Nem sabia que eles eram divididos em legiões.
    É isso aí sempre aprendendo com quem sabe mais e ensinando a quem sabe menos, aliás de quem é essa frase mesmo é do Caboclo Sete Encruzilhadas?

    • Obrigado Gisele. Sim, a frase é do Caboclo das Sete Encruzilhadas, mentor do Zélio Fernandino de Morais.

  • Anônimo

    as entidades da linha al incorporaçe som o caboclos o sabios o como se os nombra dispense eu sou uruguaio

    • Estimado Anónimo ,
      Yo no entiendo su pregunta , usted podría reformular ?

  • Thiago

    Douglas,

    Bezerra de Menezes pode ser uma falange?? Pois são tantas pessoas que dizem trabalhar com ele, que parece ter se tornando uma falange.

    • Aqui devemos ver de duas formas diferentes e não excludentes:

      1 – Será mesmo que todos que dizem receber Bezerra de Menezes o recebem? Ou se utilizam do nome célebre para validar suas incorporações e trazer de certa forma uma “certificação” para a mesma? Creio que muitos médiuns não recebem o espírito de Bezerra e nem sequer falangeiros. Tem uma médium no rádio e TV que afirma o receber, cobrando pelas consultas que pratica ou pelos “medicamentos” que indica. Quem estuda a vida do Bezerra sabe como ele fez tudo de forma caritativa. Então, por que depois de morto ele iria mudar seu jeito de trabalhar?

      2 – É bem possível que Bezerra encabece uma falange de curadores do astral que tomam seu nome. Nós mesmos lá na CCNSA usualmente o evocamos e toda sua falange para trabalhos de cura conjuntamente com outras falanges de curandeiros.