Mediunidade Consciente x Inconsciente

Os atabaques retumbam no ambiente, trazendo vibração ao corpo de todos que ali estão. As entidades no plano astral se aproximam e vão criando laços energéticos entre seus corpos astrais e o duplo etérico do médium.

O brado anuncia a chegada do guia-chefe da casa espiritual, enquanto os outros médiuns esperam a permissão para cederem ao transe mediúnico. Em um canto do terreiro um médium sente todas essas sensações pela primeira vez, e um impulso em ajoelhar-se, bradar e mexer as mãos. Eis que se manifesta seu guia espiritual, trazendo o neófito a uma nova realidade. O médium novato está assustado, pois achava que após o transe da incorporação ele perderia a consciência e entraria em uma espécie de sono, mas ali está ele, presente, ouvindo tudo, vendo tudo, sentindo tudo. E nesse momento a insegurança o acomete e ele pergunta: “Sou eu ou o guia? Quando eu serei inconsciente?”.

Então a resposta para essas perguntas são: São os dois e NUNCA!

Os médiuns inconscientes clamam por presenciar os trabalhos e os conscientes clamam por apagarem. Incrível não? A gente nunca está satisfeito com nada.

Ser inconsciente não indica grau de evolução, apenas é uma forma de manifestação mediúnica, muito rara hoje em dia, e com os dias contados. A espiritualidade determinou que é necessário que o médium aprenda e participe, já passou da hora de assumir um pouco da responsabilidade. De que adianta o guia se manifestar inconscientemente e fazer todo o trabalho e o médium continuar em estado de letargia?

No princípio era necessária a manifestação física, as provas e tudo mais para fundamentar a religião. Com o espiritismo ‘kardecista’ também foi assim, através das mesas girantes e das materializações. Mas tudo evolui, e chega o momento em que devemos deixar as provas de lado e ter fé. No começo, até mesmo para evitar que o médium interrompesse as manifestações mais ‘pirotécnicas’, era necessário apagar a consciência do individuo. Mas hoje é assim? De forma alguma.

Em um mundo moderno, cheio de recursos e informações, devemos prezar pela busca constante de entendimento e conhecimento. Então não tema em ser um médium consciente, apenas confie e se deixe levar, com caráter e bom-senso. Quer se tornar um bom médium? Então se torne um bom ser humano. Estude, pratique a caridade, procure trabalhar a reforma interior, estabeleça metas e objetivos, aprenda a perdoar. Tudo isso auxilia no processo mediúnico, mesmo que nesse momento você esteja apegado a fenomenologia.

Um de meus mentores diz sempre, não basta só incorporar um espírito é preciso incorporar os valores que esse espírito carrega.

Terapeuta Natural (Naturopata) e futuro Acupunturista, Idealizador do blog Perdido em Pensamentos e pretenso escritor. Geminiano com ascendente em Leão e lua em Touro, acredita que toda forma de estudo é importante. Médium umbandista e eterno questionador, tem interesses em temas como: Espiritualidade, Espiritismo, Umbanda, Magia e Terapias Naturais. É apaixonado pela cidade de São Paulo, onde tudo é possível. Colecionador de livros, principalmente sobre Umbanda (quanto mais antigo melhor).

Douglas Rainho

Terapeuta Natural (Naturopata) e futuro Acupunturista, Idealizador do blog Perdido em Pensamentos e pretenso escritor. Geminiano com ascendente em Leão e lua em Touro, acredita que toda forma de estudo é importante. Médium umbandista e eterno questionador, tem interesses em temas como: Espiritualidade, Espiritismo, Umbanda, Magia e Terapias Naturais. É apaixonado pela cidade de São Paulo, onde tudo é possível. Colecionador de livros, principalmente sobre Umbanda (quanto mais antigo melhor).

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  • Nascimento

    Você disse:
    “Tudo evolui, e chega o momento em que devemos deixar as provas de lado e ter fé”.

    Essa afirmação é um grande equívoco. Afinal, as provas são a forma certa de qualquer doutrina evoluir. A ciência evolui através de provas. Como religião nenhuma apresenta provas, nenhuma tem respaldo científico. E, assim, nenhuma evolui.

    A fé não é fator determinando para a evolução de religião nenhuma. Existem milhares de religiões, e todas elas exigem que você acreditem no que elas pregam. Se uma, apenas UMA religião, conseguisse provar o que prega, todas as outras desapareceriam. Afinal, essa religião teria EVOLUÍDO ao conseguir provar suas ideias.

    Fui kardecista por quase 20 anos. E tenho que reconhecer que a parte filosófica do Kardecismo é muito edificante e foi muito útil para consolidar o meu caráter. Porém, eu também acreditava na parte “científica” do Kardecismo. Apenas depois de MUITA reflexão, cheguei à conclusão de que não havia prova NENHUMA para os chamado “fenômenos espíritas”. Fiquei muito decepcionado na época. E por isso, deixei de ser kardecista.

    Hoje, sou agnóstico teísta. Acredito que exista uma inteligência superior, mas acredito que somos “pequenos demais” para compreendermos isso. E estou em busca de provas para saber qual religião fala a verdade.

    Abraços.

    • Não irei refutar em nada o que você disse. Você tem razão em grande parte, porém, como você mesmo disse: “filosófica do Kardecismo”. Que é a visão abrasileirada do espiritismo, ou seja, não é a doutrina com sua pureza original. Então, tudo que disse cabe mesmo, pois ela teve influência tremenda de cultura popular e dogmatismo católico. A visão espírita original é muito diferente do que encontramos aqui na nossa terra.

      Parabéns pela sua postura teísta, porém você jamais irá encontrar A VERDADE, por ser algo bem subjetivo. Vai no máximo encontrar a SUA verdade. =)

      Obrigado pelo comentário… Continue escrevendo.

      • Nascimento

        Douglas,

        Em primeiro lugar, agradeço sua atenção ao responder meu comentário.

        Você disse que eu nunca encontrarei “A VERDADE”. Eu entendi perfeitamente o que você quis dizer. Então, com toda cordialidade, eu pergunto: você já encontrou provas para a sua fé? Provas da vida após a morte? Provas sobre a existência de seres invisíveis? Se você encontrou essas provas, e tem como apresentá-las de forma irrefutável, você terá encontrado várias “VERDADES”. Estou me referindo a verdades universais, não individuais. Isso seria muito útil à humanidade.

        Como te falei no primeiro comentário, a parte filosófica do espiritismo (que é sincrética e tem traços do Budismo, Confucionismo, Sócrates, Platão etc.) foi muito útil para mim. Porém, eu me decepcionei muito com a parte científica do espiritismo. Você se descreve como questionador e como médium. Você já questionou sobre a veracidade da mediunidade? Você já buscou artigos científicos que abordem tais fenômenos? Você já leu o que a psicologia e a psiquiatria dizem a respeito? Você estaria disposto a abandonar sua fé caso fosse PROVADO que nada do que crê é real?

        Eu gostaria de saber a opinião a respeito.

        • Olá Nascimento,

          As verdades universais nem sempre são tão universais assim. Vou usar como elemento para ilustração o caso da física clássica promulgada por sir Isaac Newton. Era aceita como verdade universal, tanto que as suas conquistas são chamadas de LEI. Vindo de um campo científico, LEI é algo definitivo. Digo isso pois tenho formação na área de exatas, sou muito cético para certos assuntos e questiono sim toda a sorte de informação que me caem em mãos. Até o advento de Einstein, as leis de Newton eram irrefutáveis e Universais! Pois bem, a física atual descarta isso, inclusive a física quântica é algo que se alguém diz que entende, é porque não entendeu nada mesmo. rs.

          Como disse a você, se algo assim for provado. Com certeza teria que aceitar o que foi provado. Não sou cego ao ponto de questionar o empirismo de uma questão. Porém, a ciência até hoje nada provou, só tem questionamentos. Eu mesmo, com essa dicotomia em minha vida, espiritual x científico, acabo me pegando inseguro às vezes nessa questão. Veja, como disse, tenho formação de exatas, porém sou médium. Já (agora em nível privativo da minha vida) fui muito preocupado com as manifestações mediúnicas que me acometiam. Claro que procurei médicos, psicólogos e afins para descartar qualquer tipo de problema neurológico, psiquiátrico ou psicológico. Então, só pude aceitar pela fé o que ocorria. As provas do dia-a-dia na vivência mediúnica, por enquanto tem me bastado.

          Lembrando sempre que a Fé por definição não tem que ser provada. Acaba por ser uma vivência pessoal, diferente para cada ser humano. Contudo a ciência têm que se provar, caso não consiga refutar algo e nem provar, ela deve se manter neutra.

          Essa é a minha opinião. De qualquer forma, temos a assessoria de uma prof. doutora aqui no blog, pesquisadora e claramente o que podemos definir como cientista. Além disso temos uma mestre em ciências da religião também, que podem colaborar com essa nossa argumentação.

          Obrigado pelo comentário tão bem escrito e estruturado e me desculpe se não consegui passar o mesmo em minhas réplicas.

          Abraço fraterno,
          Paz e Luz.