Ler & Pensar: Toquinho, o malandro Mirim

toquinhoFui contatado pelo próprio autor, Rafael Cavalcanti, para degustar esse livro e deixar minhas impressões sobre o mesmo. Em contato via e-mail, o autor se mostrou muito solícito em disponibilizar uma cópia digital de seu livro para que eu pudesse apreciar, realmente até superando minhas limitações com os problemas da Amazon e do Kindle. Então desde já deixo aqui meus agradecimentos ao Rafael por confiar em mim para resenhar sua obra e espero que não fuja muito da objetividade.

O livro “Toquinho, o Malandro Mirim” se propõe a trazer não um romance psicografado, mas sim uma história inspirada, que não necessariamente precisa ser verídica (o autor afirma que todas as histórias foram narrativas dos espíritos). Digo isso, pois o próprio autor em sua introdução cita que gostaria de trazer um pouco das experiências e histórias passadas no terreiro ou com as entidades em suas vivências espirituais, porém adaptando-as à sua linguagem e a realidade em que vivenciamos. Com isso, ele toma a liberdade e a licença poética para colocar seu jeito, sua métrica e sua própria narrativa na história, podendo criar, inventar, adaptar, mudar e sugerir tanto personagens como situações.

O livro tem uma leitura fácil, muito compreensiva e com uma linguagem muito contemporânea, porém de certa forma isso também é um motivo de crítica, pois o personagem central do livro, recapitula que fora vivo – pelo que entendi – em uma época em que ainda existiam escravos, capitães do mato e feitores. Logo, a sua forma de se expressar, acaba se tornando muito contemporânea, para pertencer a um espírito que vivera há tantos anos e principalmente que desencarnara tão cedo.

Não questiono aqui a situação apresentada de uma falange de mirins sendo composta por entidades crianças, visto que como é tratado nesse blog, temos uma visão muito diferente sobre as crianças espirituais, erês e os próprios Exus-Mirins. Na visão que nós do Perdido em Pensamentos seguimos, Exu Mirim é um exu comum, adulto que apenas usa o nome de Mirim, assim como o faz o Caboclo Mirim. Sendo que Mirim, em linguagem tupi-guarani quer significar apenas pequeno, ou seja, Exu Mirim poderia significar um Exu pequeno em tamanho ou um gigante que usaria o nome Mirim como uma jocosidade.

Mas de toda forma a narrativa é envolvente e dá para reparar em como a mecânica espiritual funciona, mesmo sendo uma forma até ingênua de expressá-la, mas compreensiva pelo livro tratar a narrativa sob o ponto de vista de uma criança. Contudo, apesar do protagonista e de vários coadjuvantes também serem crianças, não é uma leitura recomendada para crianças e jovens adolescentes, por conterem questões sexuais, palavrões e situações pesadas. Acredito que a recomendação seria adequada para maiores de 16 anos.

Misturando um pouco de Harry Potter, contos fantásticos e narrativa simplificada, o autor consegue fazer o livro ser envolvente.

Misturando um pouco de Harry Potter, contos fantásticos e narrativa simplificada, o autor consegue fazer o livro ser envolvente, levando o leitor a esquecer que é um livro sobre religião, se aproximando muito de uma ficção fantasia para jovens e adolescentes. Confesso que fiquei empolgado e “devorei” a história, mas me decepcionei quando o final chegou, sem um desfecho e sem trazer muito do que o título do livro se propõe. Vemos apenas uma pequena participação dos malandros na história, quando esperava que eles tivessem um protagonismo maior, já que estamos falando de um malandro mirim. De qualquer forma, aguardo a continuação desse conto para saber como Toquinho conseguiu desenrolar sua vida.

Aguardo também para saber mais sobre a magia e sua utilidade no mundo literário criado por Rafael e das relações dos personagens como o Caveira, Senhor Tranca-Ruas das Almas e a própria Maria Padilha das Sete Encruzilhadas da Calunga. Como disse,traz a mitologia de Umbanda com uma pitada da fantasia de Harry Potter, sendo um bom livro para iniciar o leitor no mundo complexo das entidades espirituais que atuam no plano negativo e na crosta terrena.

Nós do Perdido em Pensamentos, recomendamos o livro e acreditamos que os próximos volumes serão ainda mais interessantes que o primeiro. Afinal, temos que descobrir o que aconteceu!!!

Ponto Forte: Leitura Envolvente e fácil assimilação.
Ponto Fraco: A localização dos personagens e a narrativa um pouco anacrônica incomodam o leitor mais atento.
Nota: 3/5

Para adquirir o livro em versão digital, visite a loja da Amazon.

Terapeuta Natural (Naturopata) e futuro Acupunturista, Idealizador do blog Perdido em Pensamentos e pretenso escritor. Geminiano com ascendente em Leão e lua em Touro, acredita que toda forma de estudo é importante. Médium umbandista e eterno questionador, tem interesses em temas como: Espiritualidade, Espiritismo, Umbanda, Magia e Terapias Naturais. É apaixonado pela cidade de São Paulo, onde tudo é possível. Colecionador de livros, principalmente sobre Umbanda (quanto mais antigo melhor).

Douglas Rainho

Terapeuta Natural (Naturopata) e futuro Acupunturista, Idealizador do blog Perdido em Pensamentos e pretenso escritor. Geminiano com ascendente em Leão e lua em Touro, acredita que toda forma de estudo é importante. Médium umbandista e eterno questionador, tem interesses em temas como: Espiritualidade, Espiritismo, Umbanda, Magia e Terapias Naturais. É apaixonado pela cidade de São Paulo, onde tudo é possível. Colecionador de livros, principalmente sobre Umbanda (quanto mais antigo melhor).

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