Eu, Dirigente Espiritual.

longaestradaO Dirigente Espiritual possui vários termos sinônimos, tais quais: Pai ou Mãe de Santo, Chefe-de-Terreiro, Cacique, Zelador, Sacerdote, Babalaô, etc. É uma figura de extrema importância dentro do ritual de Umbanda, por dar abertura e tocar os rituais, assim como suas entidades, que são as dirigentes espirituais do lado Astral.

Uma posição dessas faz com que a cobiça pelo cargo seja grande, podendo ocorrer o oposto, ou seja, um medo desmedido a ponto de se negar que um dia poderá se ocupar aquela posição. Contudo, o que mais ando presenciando são os novos Pais-de-Santo imbuídos de poder por uma entidade milenar chamada: VAIDADE.

Eu estou sempre reforçando o fato da Umbanda ser algo sério, inclusive repetindo exaustivamente a célebre frase do Caboclo Mirim:

“Umbanda é coisa séria, para gente séria!”

Porém, existem muitos aventureiros dentro das linhas umbandistas a se formar. Com o advento dos cursos de sacerdócio – o que em sua concepção original era uma ideia fantástica – percebemos a proliferação de mentais desequilibrados em suas paixões inferiores se auto-denominando Pais-de-Santo, ou pior, Sacerdotes.

Veja bem, já explorei esse tema no artigo O Sacerdócio é um chamado, não é festa, mas tenho que voltar a tratar do assunto, pois vejo séquitos fanáticos sendo arraigados por pessoas inescrupulosas ou iludidas.

Achar-se Pai-de-Santo, não o torna um. A responsabilidade de manter um terreiro, de guiar os filhos de fé – que geralmente estão perdidos – e ainda possuir capacidade para manter todos em uma vibração harmoniosa é para poucos que conseguem sobrepujar suas paixões inferiores.

Ter como meta de vida um cargo espiritual para se achar melhor que o próximo é tão errado quanto o que os pastores evangélicos neo pentecostais fazem nos púlpitos. Costumamos criticá-los tanto, porém estão fazendo o mesmo dentro da Umbanda, inclusive criaram o dízimo umbandista fantasiado de curso de desenvolvimento sem fim. Começam a chamar toda sorte de entidades para incorporar nos médiuns, mas nem sequer se dão ao trabalho de ter um contato pormenorizado com os mesmos. Não sabem quais são suas fragilidades, seus desvios de conduta e nem as suas inseguranças e perguntas. Não há a relação Pai e Filho (olha o peso das palavras).

Pior ainda quando o Pai-de-Santo não tem sequer experiência. A pessoa entra em um curso de desenvolvimento e se desenvolve muito precariamente, pois o seu formador também não teve o zelo necessário para prepará-lo e para apaziguar suas dúvidas e inquietações. Após o curso introdutório, nem sequer passar pelo processo de atendimento (por tempo indeterminado) dentro do terreiro, ou seja, entram em um curso de sacerdócio e pronto! Mais um Pai-de-Santo enlatado saindo!

É de extrema importância compreender que a escolha de um dirigente é feita pela ESPIRITUALIDADE. Essa escolha é muito clara, não vem em sonhos, em inspirações ou em intuições. Tampouco vêm no “me disseram que eu deveria fazer…”. Ela vem claramente como um soco no estômago! Você simplesmente saberá que está comprometido com a espiritualidade e seu PAI irá te indicar isso, terá cuidado na sua formação e não te colocará dentro de um curso com dezenas de outros “Pais-de-Santos-wannnabes”. Após você ser escolhido, ainda passará pela confirmação do compromisso de suas entidades. Então as coisas começaram a ser desenvolvidas por anos e não apenas em poucos meses.

O mais importante de tudo não são as iniciações, trabalhos, oferendas, passagens de bastão e afins. O mais importante de uma preparação sacerdotal é a caridade, a condolência, o emprego do amor, a reforma íntima e a prestação de serviços dentro do terreiro. Não pode se tornar Pai-de-Santo quem nunca se dispôs a limpar o terreiro depois da gira.

Dessa forma, torna-se crucial a preparação através do aprendizado prático. Não existe nada que o possa substituir. Um sacerdócio teórico é bom apenas para acumular informação, porém sem colocá-lo em prática, de nada vale. Por isso que médiuns novatos não podem ser “consagrados” Pais-de-Santo assim de qualquer jeito. Ele precisa passar pela experiência da consulta, de entender as dificuldades das pessoas que irão passar com ele, de saber resolver um possível caso de “possessão de kiumbas”, encaminhamento de eguns, trazer conforto para o coração de uma pessoa inquieta, apaziguar ânimos e muito mais.  Para isso, vão-se anos!

Então se você está lendo isso e torcendo o nariz, possivelmente está se enquadrando no texto. Não tenha pressa para se tornar algo que não é determinado para você. Não se brinca com a espiritualidade. Lembre-se que acima de tudo a Umbanda prega a Caridade, a Simplicidade e a Humildade. Então seja a Umbanda!

umbada

Terapeuta Natural (Naturopata) e futuro Acupunturista, Idealizador do blog Perdido em Pensamentos e pretenso escritor. Geminiano com ascendente em Leão e lua em Touro, acredita que toda forma de estudo é importante. Médium umbandista e eterno questionador, tem interesses em temas como: Espiritualidade, Espiritismo, Umbanda, Magia e Terapias Naturais. É apaixonado pela cidade de São Paulo, onde tudo é possível. Colecionador de livros, principalmente sobre Umbanda (quanto mais antigo melhor).

Douglas Rainho

Terapeuta Natural (Naturopata) e futuro Acupunturista, Idealizador do blog Perdido em Pensamentos e pretenso escritor. Geminiano com ascendente em Leão e lua em Touro, acredita que toda forma de estudo é importante. Médium umbandista e eterno questionador, tem interesses em temas como: Espiritualidade, Espiritismo, Umbanda, Magia e Terapias Naturais. É apaixonado pela cidade de São Paulo, onde tudo é possível. Colecionador de livros, principalmente sobre Umbanda (quanto mais antigo melhor).

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  • Anônimo

    Concordo em grande parte, mas acho que faltou ressaltar que a culpa da pressa em se tornar pai de Santo não é só de cursos. Eu já freqüentei terreiros em que os dirigentes no meio da caminhada se intitularam dirigentes e abriram terreiros. E não fizeram os tais cursos. Tem muita gente despreparada. Tão despreparada que houve a necessidade de abrir cursos.

  • Igor

    Abordagem clara e apontando a realidade. Sacerdócio não é salvação ou perfeição, mas uma missão árdua, de grande responsabilidade. Ser um líder religioso significa, na maioria das vezes, que devemos aprender muito mais, que algo será testado e cobrado. O fato de ser sacerdote não significa que chegou ao patamar de não mais ser testado, pois é aí que devemos tomar mais cuidado. Vaidade, Orgulho… são situações que vão nos colocar em prova mesmo e é onde muitos falham.