Perdido em Perguntas #5

Outra semana, outra rodada de perguntas, ainda vamos continuar no raciocínio da semana anterior.

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Vamos falar então um pouco mais sobre encantados. Um alerta, possivelmente é um tema que cada vertente filosófica encare de uma forma específica, então eu aconselho aprofundar-se no assunto em diversas fontes.

01 – As sereias são seres encantados, como dito na coluna #4, mas então isso quer dizer que outros seres míticos também são? Como por exemplo Lobisomem e Vampiro?

Vamos com calma! Pra definitivamente concluir algo é preciso entender algo chamado egrégora, formas-pensamentos, projeção mental, e por aí vai. Como são temas muito extensos e de ‘não-tão-simples-compreensão’, vou me ater a princípio nas figuras citadas. É possível que muitos dos seres mitológicos ou míticos, pertencentes a um tipo de folclore sejam ‘reais’, mas isso não quer dizer que sejam materiais. No caso de Lobisomem e Vampiro, podemos pegar pelas lendas dos mesmos. Lobisomem é um ser humano que sofre de licantropia, ou seja, pode se transformar em outro ser, um animal. Sabemos também que os espíritos tem a capacidade de plasmar seus corpos astrais, então o que é mais aceito é que as visões de lobisomens seriam espíritos desequilibrados ou que deliberadamente assumiram a forma de lobos ou híbridos entre lobo-ser humano, mas eles não são criaturas com corpo material. Possivelmente essas visões se deram em casos de videntes ou clarividentes que viram esses espíritos perturbados. A explicação para a fragilidade desses seres com a prata também vêm de questões da magia, onde a prata seria um agente que cortaria o contato ou influiria no plano espiritual. Já os vampiros são espíritos que sugam a energia vital de outros encarnados, geralmente sedutores (pois precisam se aproximar de alguma forma de suas vítimas), assediam a mesma com pensamentos que não são seus (o poder do glamour do vampiro, a hipnose), e através de uma relação simbiótica também consegue sugar as energias. A transformação do vampiro em um ser que bebe sangue se dá pela simbologia do sangue representar a vida.

02 – Os espíritos de crianças que se manifestam nos terreiros são encantados ou realmente foram crianças?

As correntes divergem nesse sentido. Geralmente, na minha opinião, consigo compreender melhor a condição dos Ibejis, Erês ou Cosminhos como espíritos naturais ou encantados, que não tiveram ainda a experiência terrena e por isso se demonstram como crianças, pela inocência e pureza que se apresentam. Alguns dizem que foram encarnados, acho que essa não seria a regra, pois Allan Kardec em seu Livro dos Espíritos relata a capacidade que tem o espírito de plasmar seus perispírito para a forma que mais lhe agradar, mas relata que toda criança é um espírito já adulto e experiente na vivencia terrena, ou seja, aqui não nascem ‘marinheiros de primeira viagem’. Uma criança que morre em tenra idade permanece assim até reencarnar? Não sei, acredito que não. Mas essa é uma opinião muito pessoal. Porém um espírito adulto pode se plasmar como uma criança e sim se manifestar como um Erê. Aí a pergunta é: POR QUÊ? Bem, pois nós somos resistentes a muitas coisas, e a manifestação de uma criança acaba sempre quebrando certas barreiras psicológicas que colocamos entre nós e os objetivos desejados. Com seu jeito irreverente e brincalhão eles acabam entrando onde um guia mais ‘sério’ não consegue. Já não dizia o Mestre Jesus: “Vinde a mim as criancinhas, pois delas e o Reino de Deus” ?

03 – Mas essa coisa de encantando só tem na Umbanda? 

Não. São seres da criação, eles permeiam a criação e suas múltiplas dimensões, não pertencem a uma religião. A religião é coisa do homem, os seres que povoam o Universo (ou Universos) são coisas do Criador. A questão é que a Umbanda por ser uma religião naturalista trabalha com os seres da natureza, que são os encantados, mas em outras vertentes também os encontramos, caso dos Cultos de Nação, Jurema, Catimbó, Xangô, Tambor de Mina, Encantaria, Xamanismo, Pajelança, Bruxaria, etc.

04 – Então, os elementais também seriam seres encantados?

De certa forma sim, eles são seres encantados. Os elementais são espíritos primitivos (não no sentido de atrasados) que são os mantenedores das leis divinas, dos elementos, e de toda a sua relação na Criação. Por exemplo, os Gnomos que são elementais da terra, cuidam de tudo que está abaixo da terra e também do que dela é proveniente, logo são associados a fartura, a comida, a pedras preciosas, aos minérios e ao trabalho duro. Os Silfos ou Sílfides, que são os elementais do Ar, que cuidam de toda a atmosfera e dos gases, assim como do movimento dos ventos, mas não só disso como da movimentação de todo Prana no Planeta. Eles se apresentam geralmente sob a guarda da Orixá Iansã, a senhora dos Ventos e Tempestades, mas Ogum também se utiliza de seu poder. As Salamandras são os espíritos do fogo, das chamas, da consumação da negatividade e da transformação, são associados a ações, atitudes, mudanças, transmutações. E as Ondinas que são os elementais das águas que são associados aos sentimentos, as condições mais profundas, a maternidade, etc. Porém existem muitos outros como Abissais, Fadas, Elfos, Duendes, Leprechauns, etc…

Terapeuta Natural (Naturopata) e futuro Acupunturista, Idealizador do blog Perdido em Pensamentos e pretenso escritor. Geminiano com ascendente em Leão e lua em Touro, acredita que toda forma de estudo é importante. Médium umbandista e eterno questionador, tem interesses em temas como: Espiritualidade, Espiritismo, Umbanda, Magia e Terapias Naturais. É apaixonado pela cidade de São Paulo, onde tudo é possível. Colecionador de livros, principalmente sobre Umbanda (quanto mais antigo melhor).

Douglas Rainho

Terapeuta Natural (Naturopata) e futuro Acupunturista, Idealizador do blog Perdido em Pensamentos e pretenso escritor. Geminiano com ascendente em Leão e lua em Touro, acredita que toda forma de estudo é importante. Médium umbandista e eterno questionador, tem interesses em temas como: Espiritualidade, Espiritismo, Umbanda, Magia e Terapias Naturais. É apaixonado pela cidade de São Paulo, onde tudo é possível. Colecionador de livros, principalmente sobre Umbanda (quanto mais antigo melhor).

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